Bridgewater reduz agressivamente big techs e corta 65% da posição em Nvidia; Vale e Mercado Livre ganham espaço

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 22 de novembro de 2025

A Bridgewater Associates, um dos maiores e mais influentes fundos do mundo, promoveu uma das reestruturações mais relevantes de seu portfólio recente no terceiro trimestre de 2025. O movimento, revelado em documentos enviados aos reguladores norte-americanos, mostra uma redução expressiva da exposição às gigantes de tecnologia, após o setor ter protagonizado forte alta nos primeiros nove meses do ano.

O corte mais emblemático ocorreu na Nvidia. A gestora diminuiu sua posição em 65%, reduzindo de 7,2 milhões para 2,5 milhões de ações, o que fez o valor aplicado despencar de US$ 1,14 bilhão para US$ 468 milhões. Em Alphabet, a mudança foi igualmente significativa, com redução de 53% no número de papéis e perda de mais de US$ 340 milhões no valor da posição, movimento que contrasta com a postura da Berkshire Hathaway, que ampliou sua exposição à empresa. Já a Amazon sofreu ajuste mais moderado, com queda de 9,6%, enquanto a Meta teve quase metade da posição encerrada.

Outra redução relevante envolveu a Broadcom, somada ao corte na Microsoft, cujo número de ações diminuiu 36% e o valor de mercado encolheu 33%. Essas decisões, vistas em conjunto, confirmam o alerta que os co-CIOs Karen Karniol-Tambour, Greg Jensen e Bob Prince vêm fazendo aos clientes nas últimas semanas: a percepção de riscos crescentes à estabilidade dos mercados após um ciclo intenso de valorização global. Segundo a gestora, o portfólio passa a refletir menor dependência de empresas altamente sensíveis ao ciclo de crescimento e ao custo de capital.

Apesar da saída parcial das big techs, a Bridgewater ampliou de forma robusta sua exposição ao mercado americano como um todo. A posição no ETF iShares Core S&P 500 (IVV) saltou 75% em número de cotas e 89% em valor, passando a ocupar o topo do portfólio da casa. No SPY, outro ETF que replica o S&P 500, houve leve redução de 2%, mas mantendo participação relevante.

Na América Latina, o destaque ficou por conta da Vale. A gestora aumentou a exposição em 94% em número de ações e 117% em valor, alcançando US$ 80 milhões. Embora ainda seja uma fatia discreta dentro do conjunto global da gestora, o reforço chama atenção pelo tamanho da mudança em apenas um trimestre. Já o Mercado Livre apresentou um crescimento ainda mais expressivo: a posição saltou de menos de 2 mil ações para 26,5 mil, um avanço de 1.238%, movimento que levou o valor investido a aproximadamente US$ 62 milhões.

No consolidado global, as maiores posições seguem concentradas nos ETFs do S&P 500, além de grandes nomes como Alphabet, Microsoft, Salesforce, Nvidia, Adobe, Booking, GE Vernova, Uber e Johnson & Johnson, ainda que muitas dessas posições tenham sido reduzidas.


Visão Bolso do Investidor

A reconfiguração do portfólio da Bridgewater indica uma mudança clara de postura diante das condições atuais de mercado. A redução agressiva de big techs sugere uma leitura de que parte das valorizações recentes estava excessivamente atrelada às expectativas sobre inteligência artificial e crescimento global, deixando esses ativos mais vulneráveis a revisões de juros e mudanças macroeconômicas.

Ao mesmo tempo, o aumento expressivo em ETFs amplos, como o IVV, sinaliza preferência por diversificação e exposição ao mercado americano como um todo, em vez de concentração em poucas empresas de tecnologia. Já os movimentos em Vale e Mercado Livre reforçam que a gestora vê oportunidades táticas na América Latina, seja por valuations mais descontados, seja pela resiliência operacional das empresas.

Para o investidor, o recado é claro: ciclos de alta prolongada exigem atenção redobrada ao risco de concentração em setores específicos, e a diversificação, inclusive internacional, tende a se tornar ainda mais importante em períodos de volatilidade.


Fontes:

  • InfoMoney