Bruno Serra destaca lições do tempo no BC para gestão do fundo Janeiro da Itaú Asset

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 11/10/2025

A experiência de Bruno Serra como diretor no Banco Central deixou marcas importantes que ele aplica agora como gestor do fundo Janeiro da Itaú Asset. Em entrevista recente, Serra afirmou que aprendeu que o BC precisa executar diagnósticos precisos de oferta e demanda e ajustar a taxa de juros com discurso coerente e postura institucional consistente.

Sua trajetória no mercado começou em 2002, na área de gestão de recursos do BankBoston. Quando a operação foi incorporada pelo Itaú em 2006, ele migrou para a tesouraria do banco, ambiente que ele considera “o centro da ação” do sistema financeiro da época. A partir dessa atuação, desenvolveu experiência prática em risco, liquidez e tomada de decisão sob pressão.

Mais tarde, Serra foi convidado por Roberto Campos Neto e Paulo Guedes para integrar a equipe do Banco Central, onde atuou até o fim de 2018. Ele relembrou que o período em Brasília o marcou profundamente, especialmente pela convivência com debates macroeconômicos e pela exigência de manter a credibilidade institucional.

Durante a passagem pelo BC, Serra enfatizou que a comunicação clara e confiável é vital. Ele costuma dizer que o banco central precisa “ter discurso coerente”, construindo previsibilidade para que agentes econômicos interpretem corretamente seus passos. Essa lição, segundo ele, é vital também para a gestão de fundos.

Após deixar o BC, Serra retornou ao mercado e assumiu o desafio de estruturar o fundo Janeiro, sob o guarda-chuva do modelo Multimanager do Itaú Asset. A proposta foi reunir diferentes estratégias e gestores, com sinergias e diversificação de estilos.

O fundo Janeiro adquiriu rapidamente tração: em sua primeira semana juntou quase R$ 9 bilhões sob gestão. De lá para cá, evoluiu e hoje forma uma “franquia de sucesso” dentro da plataforma do Itaú, com volume e resultados positivos em várias verticais.

Hoje, a equipe de Serra já administra mais de R$ 20 bilhões e ostenta performance superior ao CDI. Todos os fundos sob sua gestão entregaram resultados positivos. Ele credita parte do sucesso à disciplina intelectual do time e à prática de escrever as teses de investimento antes de atuar. Para ele, “colocar no papel” obriga clareza mental e evita decisões precipitadas.

Para reforçar esse hábito, cada integrante da equipe de gestão documenta cenários e hipóteses antes de executar operações. Essa metodologia de registro e comunicação interna, segundo Serra, fortalece o processo decisório e aumenta a qualidade das entregas.

Ele cita que escrever, explicar e sistematizar o que se pensa ajuda a consolidar o pensamento. “Dar aula, escrever algo ou explicar um ponto faz você aprender mais”, afirmou. Essa prática teria elevado o padrão da equipe e auxiliado no alinhamento interno de visões e estratégias.

Serra destacou ainda que o fundo Janeiro completou dois anos com retorno consistente — CDI + 4,5% anualizado, superando o índice de multimercados (IHFA) no mesmo período. Ele reforça que os resultados não são fruto de “uma aposta acertada”, mas de construção contínua e rigor na execução.

Um dos aprendizados enfatizados por ele é a importância de manter integridade e método mesmo em mercados voláteis. Ele afirma que bons gestores não se deixam levar apenas por movimentos especulativos, mas ajustam seus modelos frente a choques e incertezas.

A conversa com Serra evidencia como experiências prévias em políticas públicas e macroeconomia podem agregar valor à gestão privada. Ao transitar entre o BC e a gestão de recursos, ele reúne visão institucional e operacional, aplicando lições de credibilidade e coerência no fundo que hoje lidera.


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