Carteiras automatizadas ganham espaço na Bolsa e superam Ibovespa com retornos de até 64%

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 10 de fevereiro de 2026

O mercado acionário brasileiro viveu em 2025 um de seus melhores momentos da última década, impulsionado pelo retorno do apetite ao risco, pela entrada expressiva de capital estrangeiro e pela melhora das expectativas macroeconômicas. Nesse cenário, soluções automatizadas de investimento passaram a ganhar protagonismo ao oferecer retornos significativamente acima da média do mercado, simplificando o acesso do investidor à Bolsa.

Enquanto o conjunto das ações brasileiras registrou valorização média de 34% no ano, o melhor desempenho desde 2016, carteiras estruturadas e automatizadas desenvolvidas por especialistas da XP Investimentos entregaram ganhos que chegaram a quase o dobro desse patamar. O movimento refletiu um reposicionamento global de capital, com investidores reduzindo exposição aos Estados Unidos e buscando oportunidades em mercados emergentes, como o Brasil, que recebeu mais de R$ 25 bilhões em fluxo estrangeiro ao longo do período.

O principal destaque ficou por conta das carteiras focadas em empresas de menor capitalização, conhecidas como small caps. Esse conjunto de ativos avançou 64,6% em 2025, beneficiado principalmente pela expectativa de queda dos juros domésticos, fator que tende a favorecer companhias em fase de expansão e mais dependentes de crédito para crescimento.

Estratégias voltadas à geração de renda também apresentaram desempenho acima da média. As carteiras compostas por empresas com histórico consistente de distribuição de proventos acumularam valorização de 47,9% no ano, combinando ganho de capital com fluxo recorrente de dividendos. Desde o lançamento dessa estratégia, em 2022, a rentabilidade acumulada já alcança 176%, enquanto o Ibovespa avançou cerca de 51% no mesmo intervalo, evidenciando o impacto da seleção criteriosa de ativos no longo prazo.

O diferencial dessas carteiras está no processo de escolha das empresas. No caso das estratégias de dividendos, os analistas priorizam companhias com capacidade comprovada de manter e sustentar pagamentos elevados ao longo do tempo, evitando distorções comuns de análises baseadas apenas em retornos passados. A abordagem busca equilíbrio entre previsibilidade, qualidade dos balanços e geração de caixa.

Além do mercado doméstico, 2025 também marcou o avanço do investimento internacional acessível ao investidor brasileiro. Modalidades automatizadas que reúnem ativos globais em uma única estrutura permitiram exposição a ações de tecnologia, empresas europeias e títulos internacionais, com retorno próximo de 20% em dólar no ano. A diversificação geográfica passou a desempenhar papel central na proteção das carteiras, especialmente em momentos de maior incerteza local.

A consolidação das carteiras automatizadas representa uma mudança estrutural na forma de investir. Por meio dessas soluções, o investidor escolhe previamente uma estratégia alinhada ao seu perfil de risco e objetivos, enquanto o sistema executa automaticamente as movimentações necessárias sempre que os analistas atualizam a composição da carteira. O modelo reduz a influência de decisões emocionais, elimina a necessidade de acompanhamento diário do mercado e garante aderência disciplinada à estratégia definida.

Com a Bolsa brasileira ainda demonstrando fôlego no início de 2026, o consenso entre especialistas é de que a combinação entre qualidade dos ativos, diversificação e uso de tecnologia tende a se manter como um dos caminhos mais eficientes para quem busca retornos superiores no mercado acionário, sem abrir mão de praticidade e controle de risco.


Visão do Bolso do Investidor

O avanço das carteiras automatizadas mostra que investir em ações deixou de ser um processo restrito a quem acompanha o mercado diariamente. A tecnologia reduziu barreiras operacionais e comportamentais, permitindo que o investidor comum tenha acesso a estratégias sofisticadas, antes disponíveis apenas a grandes patrimônios.

Mais do que perseguir retornos elevados, o ponto central está na disciplina e na consistência do método. Carteiras bem estruturadas, com critérios claros de seleção e rebalanceamento, tendem a atravessar ciclos econômicos com mais resiliência. Para o investidor de longo prazo, a automatização não substitui o planejamento, mas funciona como uma aliada poderosa na execução de estratégias que privilegiam qualidade, diversificação e racionalidade.


Fontes:

  • InfoMoney