Casas Bahia despenca 15% após anunciar plano bilionário para trocar dívidas por ações

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 27 de novembro de 2025

As ações da Casas Bahia (BHIA3) viveram uma nova onda de forte volatilidade nesta quarta-feira, despencando mais de 15% após a companhia convocar assembleias de acionistas e debenturistas para discutir um pacote decisivo de reestruturação financeira. O plano inclui um aumento de capital autorizado que pode chegar a R$ 13,25 bilhões e um agressivo reperfilamento de dívidas, inclusive com a possibilidade de conversão de debêntures em ações.

O movimento reacende a preocupação do mercado com a situação financeira da varejista, especialmente após o prejuízo líquido de R$ 496 milhões divulgado no terceiro trimestre, pressionado principalmente pelas despesas financeiras. Na época, o vice-presidente financeiro, Elcio Ito, já havia antecipado que a empresa trabalhava em alternativas para fortalecer o balanço e aliviar a estrutura de capital.

A assembleia de debenturistas agendada para 17 de dezembro foca os papéis da 10ª emissão, que somam cerca de R$ 3 bilhões. No mesmo dia, uma AGE decidirá sobre o aumento do capital autorizado, medida considerada essencial para permitir eventuais conversões de dívidas em ações. Segundo analistas do Safra, a proposta reforça a intenção da companhia de renegociar termos com credores e utilizar ações como instrumento de pagamento. Apesar de positiva pela ótica de capitalização, a estratégia tende a gerar forte diluição para os acionistas atuais, caso a conversão seja adotada em larga escala.

O histórico recente da empresa mostra que o movimento não é inédito: em agosto, a Mapa Capital se tornou a maior acionista da Casas Bahia após converter R$ 1,40 bilhão em debêntures na mesma 10ª emissão, acordo que envolveu Bradesco e Banco do Brasil. Desde então, outras gestoras passaram a procurar a varejista interessadas em operações similares, indicando que o mercado já enxergava a conversão como uma saída provável.

Perto das 11h, BHIA3 caía 12,07%, a R$ 3,57, revertendo parte da forte valorização vista nos últimos três pregões, quando acumulou alta superior a 20%. A reação negativa reforça o clima de cautela entre investidores, diante do risco de diluição e da incerteza sobre a capacidade da companhia de concluir uma reestruturação profunda sem novos impactos sobre seu valor de mercado.

Visão Bolso do Investidor

A sinalização de conversão de dívidas em ações é um movimento clássico de empresas em situação financeira delicada: fortalece o caixa e reduz o endividamento, mas quase sempre à custa de expressiva diluição. Para o investidor, o ponto crítico é entender que a volatilidade tende a permanecer alta até que o mercado consiga dimensionar o tamanho real da reestruturação e seu impacto sobre o número total de ações. Em momentos como esse, o mais prudente é acompanhar os desdobramentos das assembleias, evitar decisões impulsivas e, principalmente, avaliar o risco de diluição antes de qualquer aporte adicional.

Fontes: Infomoney