Casas Bahia registra prejuízo maior no 3º trimestre, mas avança em eficiência operacional

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 13 de novembro de 2025

O Grupo Casas Bahia (BHIA3) divulgou nesta quarta-feira (12) que encerrou o terceiro trimestre de 2025 com prejuízo líquido de R$ 496 milhões. Embora o resultado tenha sido pressionado pelo aumento das despesas financeiras, a companhia apresentou evolução operacional, com avanços em receita, margem e geração de caixa.

O prejuízo foi 34,4% maior que o registrado no mesmo período de 2024, quando a perda somou R$ 369 milhões. Apesar disso, o número ficou abaixo do resultado negativo de R$ 555 milhões reportado no segundo trimestre de 2025.

O Ebitda ajustado atingiu R$ 587 milhões, alta de 19,6% na comparação anual. A margem do indicador subiu de 7,7% para 8,5%. Além disso, o fluxo de caixa livre ficou positivo em R$ 488 milhões no trimestre.

O GMV (volume bruto de mercadorias) avançou 8,5% em relação ao terceiro trimestre do ano passado. A receita líquida também teve crescimento, subindo 7,3% no período e alcançando R$ 6,868 bilhões. As despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) recuaram 3,2%, somando R$ 1,545 bilhão.

Apesar das melhorias operacionais, o resultado financeiro apresentou deterioração, ficando negativo em R$ 1,06 bilhão. No terceiro trimestre de 2024, o desempenho já havia sido negativo em R$ 738 milhões.

Segundo o CFO da companhia, Elcio Ito, a pressão financeira continua sendo um dos principais desafios. “As despesas financeiras, dada a estrutura de capital e dado o nível de taxa de juros, ainda carregam a companhia para um prejuízo”, afirmou. Ele destacou que a empresa está trabalhando em iniciativas para melhorar essa estrutura. “Temos plena consciência de que é um problema. Continua sendo um tema central na estratégia da companhia. Ela não está resolvida.”

Ainda assim, Ito ressaltou os avanços no plano de transformação e demonstrou confiança nos resultados das estratégias recentes — entre elas, a parceria anunciada no mês passado com o Mercado Livre (BDR: MELI34). “A parceria começou da melhor forma possível e pretendemos ir escalando ao longo do mês de novembro, chegando no ápice na Black Friday”, afirmou, sem detalhar números.

O executivo destacou também que a empresa entrou no quarto trimestre com volumes elevados para atender períodos de alta demanda, como Black Friday e Natal. Segundo ele, o estoque está adequado e com qualidade considerada saudável.

Outro ponto mencionado foi o avanço do crediário, que cresceu 8,1% na carteira na comparação anual. Ito reforçou, porém, que a companhia segue cautelosa na concessão de crédito, mantendo a inadimplência sob controle. No fim de outubro, a varejista anunciou que vai disponibilizar R$ 1,2 bilhão em crédito durante o mês de novembro.

Apesar do ambiente ainda desafiador, especialmente em setembro e outubro, o CFO disse que os primeiros dias de novembro têm mostrado sinais mais positivos.


Visão Bolso do Investidor

Os resultados da Casas Bahia mostram uma empresa que ainda enfrenta forte pressão financeira, mas que apresenta sinais importantes de recuperação operacional. A melhora no Ebitda, a redução de despesas e a geração de caixa positiva indicam que o plano de transformação tem avançado. Para investidores, o ponto de maior atenção continua sendo a estrutura de capital e o impacto das despesas financeiras, especialmente em um cenário de juros elevados.

Parcerias estratégicas e maior eficiência no gerenciamento de estoque podem contribuir para um desempenho melhor no curto prazo, especialmente em períodos sazonais como a Black Friday. Já o avanço no crediário, embora positivo para as vendas, demanda cautela contínua devido ao risco de inadimplência. O equilíbrio entre expansão e controle de risco será crucial para a sustentabilidade dos resultados futuros.


Fontes:

  • InfoMoney