Caso Master: Mendonça amplia acesso da PF aos dados e acelera investigações no STF

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 20 de fevereiro de 2026

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça decidiu manter o sigilo das investigações relacionadas ao Banco Master, mas autorizou uma ampliação significativa do acesso da Polícia Federal (PF) aos materiais coletados no processo. A medida também concede maior autonomia operacional aos investigadores.

A decisão marca uma mudança de postura em relação à condução anterior do caso, quando o processo estava sob relatoria do ministro Dias Toffoli.

Mais pessoas analisando os dados

Até então, apenas quatro peritos tinham autorização para examinar os celulares apreendidos. Com o novo despacho, a PF poderá ampliar o número de policiais com acesso às informações e produzir relatórios a partir dos conteúdos encontrados.

A corporação havia informado ao STF que a estrutura anterior dificultava a conclusão das apurações. Segundo a PF, existem cerca de 100 dispositivos eletrônicos para análise, e um único perito levaria aproximadamente 20 semanas de dedicação exclusiva apenas para realizar a extração de dados.

Com a autorização, as análises poderão seguir o fluxo normal de trabalho pericial, com distribuição das tarefas entre diferentes profissionais.

Autonomia para diligências

O ministro também autorizou que a Polícia Federal realize diligências consideradas necessárias, incluindo a oitiva de investigados e testemunhas nas dependências da própria instituição.

Além disso, os investigadores poderão manter a custódia integral dos bens apreendidos nos depósitos da PF. Mendonça concordou com a solicitação desde que seja preservado o sigilo das informações.

O despacho estabelece que somente agentes diretamente envolvidos na investigação podem ter acesso aos dados, que não devem ser compartilhados sequer com superiores hierárquicos ou autoridades públicas externas ao procedimento.

Compartilhamento interno limitado

A decisão ainda permite que informações sejam compartilhadas com a Corregedoria-Geral da Polícia Federal, exclusivamente em casos que envolvam possíveis irregularidades praticadas por policiais.

Também foi autorizado o acesso a integrantes da Diretoria de Inteligência da PF quando necessário para o andamento das investigações, sempre com obrigação de manter confidencialidade.

Por outro lado, autoridades da corporação que não participam diretamente do caso continuam com acesso restrito. Qualquer nova investigação ou abertura de inquérito adicional dependerá de autorização expressa do ministro.

Impacto na apuração

O despacho abre caminho para acelerar a análise do material apreendido, que inclui arquivos digitais e conteúdos de celulares. A ampliação do acesso deve reduzir gargalos operacionais e permitir avanço mais rápido das apurações relacionadas às suspeitas envolvendo o Banco Master.

Visão Bolso do Investidor

Investigações envolvendo instituições financeiras tendem a impactar a confiança de investidores e a percepção de risco no sistema. Mudanças processuais que aceleram apurações podem reduzir incertezas no médio prazo, enquanto períodos prolongados de indefinição costumam aumentar volatilidade e cautela do mercado.


Fontes:

  • InfoMoney
  • Estadão Conteúdo