Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 14 de fevereiro de 2026

Mesmo após recente queda no preço do Bitcoin (BTC), Cathie Wood, CEO da Ark Invest, mantém visão otimista sobre a criptomoeda. A executiva afirmou que o ativo digital pode se beneficiar de um cenário de forte deflação impulsionado por avanços tecnológicos, especialmente em inteligência artificial e robótica.
Segundo Wood, o Bitcoin não deve ser visto apenas como proteção contra inflação, mas também como alternativa em um ambiente de “caos deflacionário”, termo utilizado por ela para descrever possíveis rupturas econômicas provocadas por tecnologias exponenciais.
A declaração foi feita durante a Bitcoin Investor Week, realizada em Nova York.
Deflação por eficiência, não por colapso
De acordo com a executiva, a deflação mencionada não estaria associada a uma crise econômica, mas sim a ganhos significativos de eficiência.
Wood citou dados que apontam queda anual de 75% nos custos de treinamento de sistemas de inteligência artificial e redução de até 98% nos custos de processamento para geração de respostas. Esses avanços aumentariam a produtividade com menor uso de insumos, pressionando preços para baixo.
Na visão dela, esse movimento pode ser interpretado de forma inadequada pelo Federal Reserve, que utiliza indicadores retrospectivos para embasar suas decisões de política monetária.
Segundo Wood, o banco central norte-americano pode não perceber a natureza estrutural desse processo e acabar reagindo apenas após impactos mais profundos na economia.
Bitcoin como alternativa descentralizada
Nesse contexto, Wood defendeu que o Bitcoin tende a se destacar como ativo alternativo.
Para ela, o cenário de “caos” envolve rompimento de padrões em diversos setores, incluindo dificuldades em empresas de software como serviço e potenciais riscos de contraparte em áreas como participações privadas e crédito privado.
Segundo a executiva, a criptomoeda não estaria exposta a esses mesmos riscos, pois sua arquitetura descentralizada e oferta limitada funcionariam como diferenciais estratégicos em um ambiente de pressão sobre instituições financeiras tradicionais e modelos baseados em crescimento via endividamento.
Wood afirmou que o Bitcoin pode atuar como proteção tanto em cenários inflacionários quanto deflacionários.
Comparação com a bolha tecnológica
A CEO da Ark Invest comparou o momento atual ao período da bolha de tecnologia e telecomunicações do início dos anos 2000.
De acordo com ela, diferentemente daquele período, em que investidores direcionaram capital para tecnologias ainda imaturas, as inovações atuais estariam em estágio mais avançado de desenvolvimento.
A Ark Invest mantém exposição relevante a empresas ligadas ao mercado de criptoativos, incluindo participações na Coinbase e na Robinhood, segundo a executiva.
Para Wood, apesar da volatilidade, ativos associados à inovação e o próprio Bitcoin podem se beneficiar à medida que o foco do mercado se desloca da inflação para a deflação impulsionada por ganhos de produtividade.
Ela concluiu afirmando que acredita estar posicionada corretamente diante da transformação em curso.
Visão Bolso do Investidor
A tese apresentada por Cathie Wood insere o Bitcoin no debate mais amplo sobre os impactos econômicos da inteligência artificial e da automação. Caso ganhos de produtividade levem a pressões deflacionárias estruturais, ativos escassos e descentralizados podem ganhar espaço como alternativa dentro de carteiras diversificadas. Ao mesmo tempo, a volatilidade e a natureza ainda especulativa do mercado cripto exigem análise criteriosa de risco. Para investidores, o tema reforça a importância de acompanhar tanto os avanços tecnológicos quanto as respostas de política monetária diante de mudanças estruturais na economia global.
Fontes:
- InfoMoney
