Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 13 de novembro de 2025

O Citi reduziu a recomendação para as ações do Banco do Brasil (BBAS3) de compra para neutro após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2025 (3T25). O banco também revisou o preço-alvo dos papéis, de R$ 29 para R$ 23, refletindo maior cautela com a qualidade dos ativos e com as perspectivas de curto prazo.
De acordo com o Citi, o BB revisou seu guidance para baixo devido ao aumento das despesas com provisões, o que já havia preocupado o mercado. Para os analistas, o 3T25 foi operacionalmente fraco e trouxe sinais negativos sobre a qualidade da carteira de crédito. Mesmo com provisões maiores, o índice de cobertura recuou, enquanto os ativos de pessoas físicas – especialmente cartões de crédito – mostraram deterioração adicional.
A instituição também destacou que, apesar da medida provisória que facilita a renegociação de dívidas rurais, o número de pedidos de recuperação judicial continua subindo. A inadimplência (NPL) segue elevada e ainda não mostra sinais relevantes de alívio.
“Acreditamos que a segunda revisão para baixo do guidance em 2025 indica baixa visibilidade para os próximos trimestres, enquanto o impacto das renegociações deve levar tempo para contribuir positivamente para os lucros, o que era parte central da nossa tese anterior”, afirmou o Citi em relatório.
Os analistas ressaltam que os possíveis efeitos positivos das renegociações de crédito rural devem demorar mais que o esperado para melhorar a rentabilidade do Banco do Brasil em 2026. Para o Citi, esse atraso reduz o potencial de valorização das ações no curto prazo.
O relatório também observa que BBAS3 negocia atualmente a 0,7 vez o P/BV (Price to Book Value) e deve entregar um ROE projetado de 12,5% em 2026 — níveis considerados compatíveis com o preço atual. Por isso, o banco recomenda manter posição neutra.
O Banco do Brasil encerrou o terceiro trimestre com lucro líquido ajustado de R$ 3,785 bilhões, uma queda de 60,2% em relação ao mesmo período de 2024. Em relação ao segundo trimestre, o resultado ficou estável. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) ficou em 8,4% — o mesmo patamar do trimestre anterior, mas bem abaixo dos 21,1% registrados há um ano. Esse segue sendo o menor nível de rentabilidade desde 2016.
Visão Bolso do Investidor
O rebaixamento do Citi reflete um conjunto de desafios que pressionam o Banco do Brasil: inadimplência elevada, deterioração da carteira de crédito e necessidade crescente de provisões. Esses fatores reduzem a visibilidade sobre a recuperação das margens e da rentabilidade nos próximos trimestres.
Para investidores, o destaque é a desaceleração do ROE, que atingiu seu menor nível em quase uma década, além da queda significativa no lucro anual. A precificação atual, considerada justa pelo Citi, indica que o mercado já incorpora boa parte das incertezas — mas a retomada depende da evolução da inadimplência, da eficácia das renegociações rurais e da normalização gradual da qualidade dos ativos.
Fontes:
- InfoMoney
