Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 28 de outubro de 2025

O Brasil e a Vale (VALE3) ainda estão aquém do seu verdadeiro potencial no mercado global de cobre, segundo avaliação do presidente da mineradora, Gustavo Pimenta. Durante participação na Exposibram, realizada em Salvador, o executivo afirmou que o país perdeu ritmo no desenvolvimento do segmento, enquanto outras nações aceleraram investimentos em novas minas e tecnologia de processamento.
De acordo com Pimenta, a empresa pretende dobrar sua capacidade de produção de cobre, alcançando 700 mil toneladas até 2035. O plano está ancorado nas reservas do Pará, especialmente na região de Carajás, e faz parte do pacote de R$ 70 bilhões de investimentos anunciados pela Vale neste ano. Além do cobre, o montante também contempla a expansão das operações de minério de ferro no mesmo estado.
“O segmento tem um potencial de desenvolvimento espetacular”, afirmou o CEO, destacando que o cobre se tornou um ativo essencial na transição energética, com oferta restrita e demanda global crescente.
O papel estratégico do cobre
O cobre é um dos metais mais importantes para a descarbonização da economia, presente em turbinas eólicas, painéis solares, veículos elétricos e sistemas de transmissão de energia. A combinação entre escassez de novos projetos e forte aumento da demanda deve manter o preço do metal em patamares elevados nos próximos anos.
Segundo Pimenta, esse cenário reforça a necessidade de o Brasil acelerar investimentos em infraestrutura de mineração e logística de exportação, de forma a recuperar a competitividade internacional perdida na última década.
Minério de ferro segue como carro-chefe
Durante o evento, o executivo também afirmou que a Vale deve retomar ainda neste ano a posição de maior mineradora de ferro do mundo, posto atualmente ocupado pela australiana Rio Tinto.
A companhia segue otimista com o futuro do minério de ferro, sustentando a expectativa de demanda sólida diante do crescimento populacional, urbanização global e da transição energética, fatores que impulsionam o consumo de aço.
“Seguimos construtivos em especial no minério de maior teor”, afirmou o presidente, ressaltando que a Vale opera em Carajás um dos minérios de maior pureza do mundo, com 65% de teor de ferro.
Novas direções para a mineração
Pimenta também ressaltou que a indústria mineradora precisará se adaptar a um novo paradigma de mercado.
“A indústria vai se descomoditizar; precisaremos oferecer soluções voltadas a cada cliente”, declarou, indicando que a personalização de produtos e serviços será uma das estratégias centrais da Vale para os próximos anos.
Visão do Bolso do Investidor
A declaração do CEO da Vale reforça o peso estratégico do cobre como ativo de longo prazo e destaca o potencial de valorização do setor de mineração metálica no Brasil. A busca por eficiência energética, somada à transição global para fontes limpas, tende a aumentar a demanda por metais condutores — beneficiando empresas com reservas expressivas e capacidade de expansão, como a própria Vale.
Conclusão
Com planos bilionários de investimento e foco em metais críticos para a economia verde, a Vale tenta consolidar um novo ciclo de crescimento baseado na diversificação de portfólio e na ampliação da produção de cobre e ferro. O desafio será equilibrar competitividade global com sustentabilidade e governança em um mercado cada vez mais exigente.
Fontes:
- InfoMoney
