Como montar uma carteira de investimentos para a aposentadoria na previdência privada

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 26/09/2025


Planejar a aposentadoria por meio da previdência privada exige mais do que escolher um plano em banco ou seguradora. O ponto central está em estruturar uma carteira que combine segurança, crescimento de patrimônio e eficiência tributária ao longo dos anos. A definição da estratégia passa por fatores como tempo até a aposentadoria, perfil de risco e a relevância que aquele recurso terá no futuro do investidor. Quanto maior o horizonte de tempo, maior pode ser a participação em ativos de risco, enquanto quem já está perto de se aposentar precisa migrar para opções conservadoras.

Especialistas lembram que a previdência privada pode funcionar como o núcleo desse planejamento, não só pelo benefício da gestão profissional, mas também pelas vantagens fiscais e sucessórias. Planos do tipo PGBL, por exemplo, permitem deduzir até 12% da renda bruta tributável no Imposto de Renda para quem faz declaração completa. Além disso, existe a tabela regressiva de tributação, que reduz a alíquota de IR conforme o tempo de permanência dos recursos, chegando a apenas 10% para valores mantidos por mais de dez anos. Essa característica faz da previdência uma ferramenta especialmente útil para quem consegue pensar no longo prazo. No entanto, a leitura atenta dos contratos é fundamental, já que em alguns modelos de benefício vitalício, por exemplo, os recursos não retornam aos herdeiros em caso de falecimento do titular.

Ao lado da previdência, a carteira pode incluir uma combinação de renda fixa e variável. Conservadores tendem a manter a maior parte em títulos públicos atrelados à Selic ou à inflação, CDBs e fundos de previdência de baixo risco. Moderados costumam equilibrar entre renda fixa e ações, utilizando fundos multimercado ou fundos imobiliários para diversificar. Já os arrojados destinam a maior parte para ações, ETFs e até ativos alternativos, sempre mantendo a previdência como base estruturante. O importante é que a composição não seja estática: conforme a aposentadoria se aproxima, o investidor precisa aumentar gradualmente a parcela em ativos mais estáveis, reduzindo exposição ao risco de mercado.

Nos últimos anos, novos instrumentos passaram a compor esse universo, como Fiagros, Fi-Infra e o Tesouro Renda+, que oferecem exposição a setores estratégicos com benefícios tributários interessantes para quem planeja a aposentadoria. ETFs também ganharam espaço por simplificar a diversificação e cobrarem taxas menores. Essas alternativas permitem que investidores de diferentes perfis encontrem soluções adequadas sem depender apenas dos fundos tradicionais oferecidos pelas seguradoras.

A construção da aposentadoria pela previdência privada, portanto, deve ser vista como um processo dinâmico e de longo prazo, em que disciplina, paciência e revisões periódicas fazem toda a diferença. Mais do que escolher um plano, trata-se de montar um portfólio inteligente, que una crescimento patrimonial, segurança e vantagens fiscais, garantindo tranquilidade financeira para a fase em que o trabalho deixará de ser a principal fonte de renda.


Fontes