Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 25 de dezembro de 2025

O Conselho Nacional Eleitoral de Honduras anunciou nesta quarta-feira (24) a vitória do conservador Nasry Asfura na eleição presidencial realizada em 30 de novembro. O resultado foi confirmado após a conclusão de uma apuração especial que revisou 2.792 atas eleitorais, em um processo marcado por atrasos, questionamentos e forte tensão política no país centro-americano.
A apuração extraordinária havia sido iniciada na semana passada diante de alegações de inconsistências e erros nos registros eleitorais. Somente após a finalização dessa revisão é que o órgão eleitoral confirmou oficialmente o resultado do pleito.
Conhecido como “Tito” Asfura, o candidato do Partido Nacional obteve 40,27% dos votos, superando Salvador Nasralla, do Partido Liberal, que alcançou 39,53%. Trata-se da segunda tentativa de Asfura de chegar à presidência, desta vez com apoio declarado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O resultado representou um revés expressivo para o partido governista de esquerda Liberdade e Refundação (Libre). A candidata da sigla, Rixi Moncada, somou apenas 19,19% dos votos, ficando distante dos dois principais concorrentes e fora da disputa direta pela presidência.
Antes da recontagem especial, iniciada na quinta-feira anterior ao anúncio oficial, a diferença entre Asfura e Nasralla era inferior a 1 ponto percentual, o que alimentou acusações de fraude, manifestações políticas e pressões internas e externas. A demora no encerramento do processo elevou o clima de instabilidade institucional e gerou incerteza sobre o desfecho da eleição.
O anúncio oficial encerra um dos processos eleitorais mais conturbados dos últimos anos em Honduras, em um contexto regional marcado por disputas ideológicas e mudanças no equilíbrio político da América Latina.
O resultado hondurenho ocorre poucos dias após outro movimento significativo no continente: a eleição do ultradireitista José Antonio Kast no Chile. Analistas veem os dois episódios como parte de uma tendência mais ampla de avanço de forças conservadoras na região, em meio a desgastes de governos de esquerda, pressões econômicas e maior polarização política.
Visão Bolso do Investidor
A confirmação da vitória de Nasry Asfura reforça o cenário de volatilidade política na América Latina, com impactos potenciais sobre relações diplomáticas, ambiente regulatório e fluxo de investimentos estrangeiros. Processos eleitorais prolongados e contestados costumam elevar a percepção de risco institucional, o que afeta câmbio, mercado de capitais e decisões de alocação internacional.
Além disso, a convergência política entre governos latino-americanos e lideranças conservadoras globais pode alterar agendas econômicas, comerciais e fiscais, exigindo atenção redobrada de investidores expostos a ativos da região. Em contextos como esse, a diversificação geográfica e a leitura cuidadosa do risco político tornam-se ainda mais relevantes.
Fontes:
- InfoMoney
- Estadão
