Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 02/11/2025

Introdução
Durante muito tempo, o consórcio foi visto apenas como uma alternativa para quem não tinha pressa em adquirir um bem.
Mas, nos últimos anos, esse modelo de investimento coletivo voltou aos holofotes — não apenas como forma de financiar imóveis, veículos ou serviços, mas também como instrumento de planejamento financeiro e até de geração de lucro.
Com juros altos e crédito mais restrito, o consórcio se tornou uma opção atrativa para quem quer investir com disciplina, fugir dos financiamentos tradicionais e até lucrar com a valorização da carta contemplada.
Mas afinal, vale a pena entrar em um consórcio? E como ele pode se transformar em uma estratégia rentável?
Desenvolvimento
O consórcio é uma compra planejada e colaborativa: um grupo de pessoas se reúne, sob administração de uma instituição autorizada pelo Banco Central, para contribuir mensalmente com parcelas que formam um fundo comum.
A cada mês, uma ou mais pessoas são contempladas por sorteio ou lance e recebem uma carta de crédito, que pode ser usada para adquirir o bem ou serviço desejado — como carro, imóvel, equipamento ou até capital de giro.
O principal diferencial do consórcio é a ausência de juros. Em vez disso, há apenas uma taxa de administração (em geral entre 10% e 20% do valor total), o que o torna mais barato que o financiamento tradicional, especialmente em períodos de Selic elevada, como o atual — hoje em 15% ao ano.
Além do custo menor, o consórcio oferece flexibilidade e previsibilidade. O valor da carta é atualizado de acordo com a inflação do setor (como o INCC, no caso de imóveis), o que preserva o poder de compra.
E, para quem deseja antecipar a contemplação, há a opção de dar lances, usando recursos próprios ou o saldo do próprio consórcio.
Como o consórcio pode gerar lucro
O que muitos investidores ainda não percebem é que o consórcio pode ir além da aquisição de bens: ele também pode ser uma oportunidade de investimento.
Quando um consorciado é contemplado, ele tem uma carta de crédito valorizada — um ativo de alta liquidez, já que pode ser usada para comprar bens, revender com margem ou até transferida a terceiros.
Em mercados aquecidos, como o imobiliário, é comum que a carta contemplada seja vendida com ágio, ou seja, por um valor superior ao total pago até o momento.
Exemplo:
Um investidor que paga 40% de um consórcio de R$ 300 mil e é contemplado pode vender sua carta por R$ 320 mil, obtendo um lucro líquido de R$ 20 mil — sem contar a economia em juros que teria se tivesse financiado o mesmo bem.
Além disso, há quem use o consórcio como uma forma de poupança forçada, com ganhos adicionais.
Como os valores pagos são atualizados e corrigidos, o participante acumula patrimônio sem a volatilidade dos investimentos de renda variável e sem os custos elevados do crédito bancário.
Análise do Bolso do Investidor
No cenário atual de juros altos e crédito seletivo, o consórcio se destaca como instrumento de planejamento financeiro eficiente e até como alternativa de investimento conservador.
Para quem busca comprar um bem de forma programada, ele pode representar uma economia de até 30% em relação ao financiamento tradicional, além de proteger o patrimônio contra a desvalorização da moeda.
Já para o investidor, o consórcio contemplado é uma oportunidade de ganho rápido, especialmente em setores com forte demanda, como imóveis e veículos.
Mas é importante reforçar: o consórcio não é investimento de curto prazo. Ele exige paciência, disciplina e estratégia, tanto para participar quanto para aproveitar o momento certo de vender ou utilizar a carta.
Quem deseja usar o consórcio como forma de lucro deve buscar administradoras sólidas, acompanhar mercados em alta e entender que o ágio da carta contemplada varia conforme o apetite do comprador.
Fechamento
O consórcio deixou de ser uma simples forma de parcelar bens e passou a ocupar espaço nas carteiras de investidores atentos a oportunidades de rentabilidade previsível e baixo risco.
Com planejamento e visão estratégica, ele pode ser tanto um instrumento de compra inteligente quanto uma forma legítima de gerar lucro.
Em tempos de crédito caro e volatilidade, o segredo está em usar a lógica do coletivo para conquistar — e multiplicar — o patrimônio individual.
Fontes: Banco Central do Brasil; Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC); InfoMoney; Valor Econômico; FGV/Ibre.
