Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 29 de novembro de 2025

Os Correios registraram um dos piores resultados financeiros de sua história e fecharam os nove primeiros meses de 2025 com um prejuízo de R$ 6,1 bilhões, quase três vezes maior que o visto no mesmo período do ano anterior. Os números divulgados nesta sexta-feira (28) confirmam a deterioração acelerada da estatal, que já acumula doze trimestres consecutivos no vermelho.
Apenas no terceiro trimestre, as perdas chegaram a R$ 1,7 bilhão. No semestre anterior, o déficit já ultrapassava R$ 4,4 bilhões. Além disso, a receita total caiu para R$ 12,35 bilhões, queda de 12,7% em relação aos R$ 14,15 bilhões de 2024, refletindo perda de competitividade em um mercado de logística cada vez mais dominado por empresas privadas.
Ao mesmo tempo, as despesas gerais e administrativas dispararam 53,5%, passando de R$ 3,14 bilhões para R$ 4,82 bilhões, impulsionadas principalmente pelo aumento de ações trabalhistas desfavoráveis à estatal. Os custos operacionais tiveram apenas um pequeno recuo, somando R$ 11,69 bilhões.
A crise financeira já pressiona o governo federal. A equipe econômica revisou para cima a estimativa de déficit primário dos Correios, que deve fechar 2025 com rombo de R$ 5,8 bilhões, mais que o dobro do previsto inicialmente. O resultado das estatais federais também foi impactado, devendo encerrar o ano com saldo negativo de R$ 9,2 bilhões.
Nesta semana, o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a situação da empresa é “muito ruim” e vem prejudicando o desempenho fiscal do governo. Ele disse ter cobrado do presidente dos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon, um plano de reestruturação mais robusto, e revelou que está em análise a possibilidade de um empréstimo de R$ 20 bilhões via consórcio de bancos.
Apesar do cenário crítico, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que não há discussão sobre privatização da estatal. Segundo ele, qualquer apoio financeiro do Tesouro dependerá de melhorias concretas na gestão e de resultados mais consistentes. Com receitas em queda, despesas trabalhistas disparando e dificuldade crescente de competir no setor logístico, os Correios se tornaram uma das maiores pressões fiscais do governo federal. Como resumiu Durigan, “não fossem os Correios, poderíamos estar num cenário um pouco melhor”.
Visão Bolso do Investidor
A situação dos Correios evidencia como má gestão, despesas crescentes e perda de competitividade podem comprometer a saúde financeira de uma empresa, inclusive de uma estatal de grande porte. Para o investidor, o caso reforça a importância de acompanhar não apenas os números, mas também a governança, a eficiência operacional e o posicionamento estratégico das companhias. Empresas incapazes de se reinventar ou controlar custos tendem a perder espaço, gerar prejuízos recorrentes e pressionar seus controladores, como neste caso o próprio governo federal. Em momentos assim, a disciplina financeira e a análise criteriosa de risco tornam-se essenciais para proteger patrimônio e tomar decisões conscientes.
Fontes: Infomoney
