Correios aprovam empréstimo de R$ 12 bilhões, mas operação ainda depende de aval do Tesouro

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 18 de dezembro de 2025

O Conselho de Administração dos Correios aprovou a contratação de um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a um grupo de cinco bancos, mas a operação ainda depende do aval do Tesouro Nacional para ser concluída. A garantia da União segue em análise e é considerada condição essencial para o fechamento do acordo.

A proposta envolve Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, que negociaram conjuntamente os termos do financiamento. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, há possibilidade de o aval ser concedido nos próximos dias, uma vez que as tratativas já vêm sendo conduzidas há semanas.

O empréstimo prevê prazo total de 15 anos, com três anos de carência. A taxa de juros acordada equivale a 115% do CDI ao ano, índice próximo à taxa Selic e utilizado como referência no mercado interbancário. O custo ficou abaixo de uma proposta anterior, que chegou a 136% do CDI e foi rejeitada pelo Tesouro por ser considerada excessiva para operações com garantia da União.

O socorro financeiro está condicionado à implementação de um plano de reestruturação da estatal. Entre as medidas previstas estão a redução de despesas, fechamento de cerca de mil unidades e a adesão de até 15 mil funcionários a programas de desligamento voluntário, sendo 10 mil em 2026 e 5 mil em 2027. Do lado da receita, os Correios pretendem ampliar parcerias com o setor privado e diversificar os serviços oferecidos.

A expectativa do governo é que, com a combinação do financiamento e do plano de ajuste, a estatal volte a registrar lucro a partir de 2027.

Visão Bolso do Investidor

A operação evidencia como estatais com dificuldades financeiras acabam recorrendo a crédito de longo prazo para ganhar fôlego, mas isso não resolve o problema estrutural por si só. O ponto central para o investidor e para o contribuinte é a execução efetiva do plano de reestruturação. Sem cortes reais de custos e aumento sustentável de receitas, o risco é apenas postergar desequilíbrios, transferindo o ônus para a dívida pública no futuro. O aval do Tesouro, embora comum nesse tipo de operação, reforça a importância de disciplina fiscal e governança para evitar recorrência de socorros financeiros.

Fontes: Infomoney