Correios travam empréstimo de R$ 20 bilhões após Tesouro rejeitar juros considerados abusivos

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 3 de dezembro de 2025

Os Correios suspenderam as negociações para contratar um empréstimo de aproximadamente R$ 20 bilhões com um consórcio de bancos, após o Tesouro Nacional indicar que não ofereceria garantia caso as taxas de juros superassem o limite considerado aceitável para operações desse tipo. A decisão interrompe, por ora, o plano da estatal de reforçar sua liquidez no curto prazo, em meio ao agravamento contínuo de seus resultados financeiros.

A informação foi confirmada por uma fonte do Ministério da Fazenda, que classificou o custo da proposta apresentada pelos bancos como elevado demais para que o Tesouro assumisse o risco da operação. O recuo ocorre semanas após a empresa anunciar que buscava um financiamento bilionário com aval da União para aliviar pressões de caixa e honrar compromissos imediatos.

O impasse também sinaliza preocupação crescente do governo com os resultados da estatal. Em outubro, indicadores financeiros já haviam acendido um alerta na equipe econômica, que classificou o desempenho dos Correios como “muito ruim”. O quadro impactou as projeções fiscais deste ano e alimentou temores de que o resultado de 2026 possa ser ainda mais negativo sem uma reestruturação mais profunda.

Apesar da necessidade urgente de recursos, a suspensão das tratativas evidencia que o governo não está disposto a assumir garantias em condições consideradas desfavoráveis. A equipe econômica tem enfatizado a importância de medidas que aumentem a eficiência da estatal, antes de qualquer eventual apoio financeiro de grande porte. Os Correios ainda não se pronunciaram sobre a retomada das negociações nem indicaram alternativas para recompor o caixa no curto prazo.

Visão Bolso do Investidor

O recuo no empréstimo reforça um ponto importante: mesmo operações garantidas pelo Tesouro obedecem a critérios rígidos para evitar riscos excessivos às contas públicas. Para o investidor, o episódio acende alertas sobre a situação financeira da estatal e sobre o impacto que estatais deficitárias podem causar no equilíbrio fiscal do país.A suspensão também mostra que, em cenários de juros elevados, linhas de crédito corporativo, ainda que bilionárias, podem se tornar economicamente inviáveis. Quando o custo do endividamento supera o benefício do capital obtido, o risco deixa de ser apenas financeiro e passa a ser estratégico.

Fontes: Infomoney