Corrida bancária na Fictor? Clientes sacam 70% dos recursos após caso Master e grupo pede recuperação judicial

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 04 de fevereiro de 2026

O Grupo Fictor entrou com pedido de recuperação judicial após enfrentar uma forte crise de liquidez desencadeada por uma perda de confiança do mercado. Segundo o advogado que coordena o processo, cerca de 70% dos recursos aplicados pelos clientes foram resgatados, o que representa quase R$ 2 bilhões em saques em poucos dias.

De acordo com a empresa, o problema começou logo após o anúncio de uma proposta de aquisição do Banco Master, em parceria com fundos dos Emirados Árabes Unidos. No dia seguinte ao comunicado, o Banco Central decretou a liquidação da instituição, ampliando o clima de desconfiança também sobre a Fictor.

Saída em massa de investidores

Com a deterioração da confiança, investidores passaram a retirar rapidamente seus recursos. A forte onda de resgates comprometeu o caixa do grupo e dificultou o cumprimento de pagamentos.

O advogado Carlos Deneszczuk, do escritório DASA Advogados, afirmou que a empresa enfrentou uma espécie de “corrida” por liquidez, o que pressionou suas operações.

Segundo ele, até novembro não havia atrasos ou problemas relevantes nos pagamentos.

Pedido de recuperação judicial

O pedido de recuperação judicial envolve as empresas Fictor Holding e Fictor Invest.

Os principais números informados:

Dívida total superior a R$ 4 bilhões

Quase R$ 2 bilhões sacados por clientes

Proposta de pagamento sem descontos, com prazo de até 5 anos

A Fictor operava por meio de Sociedades em Conta de Participação (SCPs), captando recursos para investir em negócios e empresas. Esses investimentos, porém, não contam com proteção do Fundo Garantidor de Créditos, o que amplia o risco para os investidores.

Bloqueio judicial agrava cenário

Antes mesmo do pedido de recuperação, o grupo já enfrentava restrições judiciais.

O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou o bloqueio cautelar de R$ 150 milhões para garantir obrigações contratuais ligadas a operações de cartões corporativos.

A decisão afeta a unidade de pagamentos do grupo, que operava com a bandeira American Express.

Expansão recente no setor de pagamentos

Nos últimos anos, a empresa havia ampliado sua atuação no segmento financeiro.

A Fictor Pay:

atuava em 9 estados

tinha cerca de 500 clientes

movimentou R$ 2,2 bilhões em transações

chegou a processar R$ 200 milhões por mês em cartões corporativos

Mesmo com essa expansão, a crise de confiança e a saída repentina de capital comprometeram a sustentabilidade da operação.

Visão Bolso do Investidor

Casos como o da Fictor mostram que produtos fora do sistema bancário tradicional podem oferecer rentabilidades atrativas, mas também carregam riscos maiores — especialmente quando não há cobertura do FGC. Em momentos de estresse, a retirada simultânea de recursos pode gerar um efeito dominó, forçando até empresas operacionais a buscar recuperação judicial. Para o investidor, entender a estrutura jurídica do investimento e o nível de proteção do capital é tão importante quanto a rentabilidade prometida.


Fontes:

  • Infomoney
  • Estadão Conteúdo