Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 04 de dezembro de 2025

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou nesta quinta-feira a convocação de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para prestar esclarecimentos sobre suspeitas de fraude na emissão de aproximadamente doze bilhões de reais em créditos consignados considerados irregulares. A comissão também autorizou a quebra dos sigilos bancário e telemático do empresário.
O pedido foi apresentado pelo relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar, que justificou a convocação afirmando que o Master precisa esclarecer sua atuação na oferta de produtos financeiros voltados a aposentados e pensionistas, especialmente em razão do elevado volume de reclamações encaminhadas à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) nos últimos anos.
Além de Vorcaro, outros cinco executivos do setor financeiro também foram convocados. A lista inclui Salim Dayan, do Banco Daycoval, André Luiz Calabro, do Banco Pan, Everton Francisco da Rosa, da Facta Financeira, Luis Felix Cardamone Neto, do BMG, e Glauber Marques Correa, do Agibank.
Outros nomes haviam sido sugeridos pelos parlamentares, mas acabaram retirados após destaques apresentados pela base governista. Entre os poupados estão Leila Pereira, presidente da Crefisa e dirigente do Palmeiras, e Eduardo Chedid, presidente do PicPay. Também foram rejeitadas as convocações de Mario Roberto Opice Leão, do Santander, e de Marcelo Kalim, do C6 Bank.
O avanço da CPMI marca o início de uma nova fase de investigação. A comissão pretende se aprofundar em denúncias sobre a cobrança de empréstimos consignados sem autorização e possíveis irregularidades na oferta desses produtos. O critério para definir os executivos chamados a depor foi o volume de reclamações registradas tanto na plataforma Consumidor.gov.br quanto na Senacon, órgão vinculado ao Ministério da Justiça.
No caso do PicPay, o requerimento original citava sua atuação no programa Meu INSS Vale+, lançado em 2024 e suspenso em maio pelo governo após denúncias de que a fintech estaria cobrando taxas indevidas para transferências relacionadas ao benefício antecipado de até cento e cinquenta reais, o que contrariava as regras oficiais.
A Crefisa também esteve no centro de polêmicas após assumir a maior parte da folha de pagamento de novos benefícios previdenciários em 2024. Segundo denúncias recebidas pelo INSS, a empresa teria praticado falhas operacionais e contratuais, além de pressionar beneficiários a abrir contas e contratar produtos não solicitados. Esses relatos motivaram a suspensão de parte dos contratos firmados.
Como parte das próximas etapas da investigação, o relator solicitou à Controladoria-Geral da União o envio de todos os documentos referentes a auditorias, análises técnicas e relatórios sobre a concessão de empréstimos consignados. Um pedido semelhante foi encaminhado ao presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, para que compartilhe materiais produzidos pela Auditoria-Geral da autarquia relacionados ao tema.
A CPMI segue avaliando novas convocações e tenta mapear a responsabilidade de instituições financeiras e intermediários em um dos maiores escândalos recentes envolvendo créditos voltados ao público aposentado.
Visão Bolso do Investidor
O caso reforça a importância da educação financeira e da atenção redobrada no mercado de consignados, especialmente para públicos vulneráveis como aposentados e pensionistas. Investigações como essa ajudam a dar transparência ao sistema e podem contribuir para práticas mais responsáveis no setor de crédito. Para investidores, cada avanço regulatório tende a melhorar a previsibilidade operacional e a qualidade das instituições expostas a esse segmento.
Fontes:
- InfoMoney
- Estadão
