Publicado por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 29/09/2025
Crescimento de crédito segue, mas perde fôlego
O Banco Central divulgou dados de agosto mostrando que o estoque total de crédito chegou a R$ 6,8 trilhões, com expansão puxada principalmente pelo crédito às famílias. Já o crédito para empresas recuou levemente, com retração de 0,1% no mês.
Dentro desse cenário, chama atenção o novo consignado para trabalhadores do setor privado, cuja taxa média atingiu 3,9% ao mês, acima dos 2,6% dos contratos antigos — mas ainda inferior aos 6,2% cobrados no crédito pessoal não consignado.
Inadimplência se eleva e preocupa
Os empréstimos com atraso superior a 90 dias avançaram para 3,9% do total de crédito, conforme o BC. No caso de pessoas físicas, esse percentual chega a 6,8%. Já entre as empresas, a inadimplência em crédito livre ficou estável em 3,3%.
O movimento sugere que as famílias estão enfrentando maiores dificuldades para honrar compromissos financeiros, enquanto empresas ainda conseguem segurar o índice de calotes.
Juros pressionados em linhas de risco
O novo consignado para o setor privado, apesar de mais caro que os contratos antigos, permanece como alternativa menos onerosa que o crédito pessoal tradicional.
Outras modalidades, no entanto, seguem em patamares elevados: o cheque especial registrou taxa média de 7,49% ao mês, e o cartão de crédito rotativo atingiu 15,29% ao mês. Esses níveis refletem o elevado custo de crédito em operações de maior risco.
Reflexos para a economia
Esse conjunto de fatores — crédito crescendo em ritmo mais lento, inadimplência em alta e juros pressionados — aponta para um cenário de maior fragilidade no mercado de crédito.
Se a tendência se prolongar, o efeito pode ser uma retração na concessão de empréstimos, menor consumo e impacto negativo sobre o crescimento econômico, já que o crédito tem sido um dos motores da atividade no país.
Fonte: InfoMoney

