Criptomoedas em 2025: das máximas históricas às maiores quedas do ano

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 22 de dezembro de 2025

Quem investe em criptomoedas já está acostumado à volatilidade extrema desses ativos. Oscilações intensas, tanto positivas quanto negativas, fazem parte da dinâmica do mercado digital e atingem inclusive a maior e mais consolidada criptomoeda do mundo, o Bitcoin. Em 2025, no entanto, o comportamento do mercado chamou atenção pela sequência de correções relevantes após um período de forte valorização.

Até o dia 18 de dezembro, o Bitcoin acumulava queda aproximada de 6,3% no ano. O movimento ocorre depois de o ativo ter atingido sua máxima histórica em outubro, quando chegou à faixa dos US$ 126 mil. Desde então, o preço passou por algumas das maiores quedas diárias do ano e voltou a operar próximo da região dos US$ 85 mil.

Levantamento realizado por Rony Szuster, head de research do Mercado Bitcoin, aponta que parte dessas correções esteve diretamente associada a fatores políticos, macroeconômicos e à realização de lucros após movimentos especulativos intensos.

No início de março, por exemplo, o Bitcoin registrou uma das maiores quedas diárias de 2025 após um forte rali impulsionado por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a defender publicamente a criação de uma reserva estratégica de ativos digitais no país. A empolgação inicial deu lugar à realização de lucros já no dia seguinte, quando o mercado passou a questionar a efetividade prática da proposta.

Poucos dias depois, em 9 de março, uma nova correção relevante ocorreu diante da ausência de anúncios concretos sobre a reserva estratégica após uma reunião entre Trump e executivos do setor de criptoativos. A frustração dos investidores contribuiu para mais um movimento de venda.

Em abril, o Bitcoin voltou a sofrer pressão com o aumento das incertezas globais provocadas pela política tarifária dos Estados Unidos. O chamado “Dia da Libertação”, quando Trump anunciou tarifas elevadas sobre importações de diversos países, aumentou a aversão ao risco nos mercados e afetou diretamente ativos mais voláteis, como as criptomoedas.

Já em outubro, a guerra comercial voltou ao centro das atenções após o anúncio de tarifas de até 100% sobre exportações chinesas para os Estados Unidos. O cenário reforçou o movimento de correção no Bitcoin, que teve uma de suas maiores quedas diárias do ano, justamente após ter alcançado seu recorde histórico.

Em novembro, dados do mercado de trabalho americano também influenciaram negativamente os preços. Um relatório de emprego levantou dúvidas sobre a possibilidade de cortes de juros pelo Federal Reserve, pressionando ativos de risco e levando o Bitcoin a mais uma correção expressiva.

Apesar de todas essas quedas, o desempenho do Bitcoin em 2025 ainda foi relativamente melhor do que o de outras criptomoedas relevantes. Dois ativos se destacaram negativamente no ano: Worldcoin e Cardano.

A Worldcoin acumulou uma queda superior a 76% até meados de dezembro. Segundo Szuster, o desempenho foi fortemente impactado por um cronograma agressivo de desbloqueio de tokens, que aumentou a oferta no mercado, além de entraves regulatórios relacionados à coleta de dados biométricos e à perda de interesse especulativo.

Já a Cardano apresentou uma desvalorização próxima de 54% no mesmo período. O ativo perdeu competitividade frente a outras plataformas de primeira linha, com crescimento limitado em finanças descentralizadas, estagnação do valor total bloqueado e menor geração de valor on-chain, fatores que acabaram penalizando a percepção do mercado sobre o projeto.


Visão Bolso do Investidor

O desempenho das criptomoedas em 2025 reforça uma lição fundamental para qualquer investidor: volatilidade não é exceção, é regra. Mesmo ativos consolidados como o Bitcoin estão sujeitos a ciclos de euforia, correções abruptas e longos períodos de lateralização, frequentemente influenciados por fatores externos como política monetária, decisões geopolíticas e comportamento especulativo.

Ao mesmo tempo, o contraste entre o Bitcoin e projetos que sofreram quedas ainda mais severas mostra a importância de avaliar fundamentos, dinâmica de oferta e maturidade do ecossistema. Em um mercado ainda em construção, a seleção de ativos, o controle de risco e o horizonte de investimento fazem toda a diferença.

Mais do que tentar prever movimentos de curto prazo, o investidor em cripto precisa entender que retornos extraordinários caminham lado a lado com riscos elevados, e que disciplina, diversificação e estratégia continuam sendo os melhores antídotos contra decisões impulsivas em momentos de forte oscilação.


Fontes:

  • InfoMoney
  • Reuters
  • Mercado Bitcoin