Crise nos Correios pesa nas contas do governo e agrava desafio fiscal, diz Fazenda

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 25 de novembro de 2025

A grave situação financeira dos Correios voltou ao centro do debate econômico após o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmar nesta segunda-feira que o desempenho da estatal teve impacto direto e negativo no relatório bimestral de receitas e despesas divulgado pelo governo. Segundo ele, o quadro da empresa é “muito ruim” e exigiu compensação do Tesouro Nacional, pressionando ainda mais o espaço fiscal.

O relatório divulgado na última sexta-feira mostrou que a contenção de gastos necessária para o cumprimento das regras fiscais foi reduzida de R$ 12,1 bilhões para R$ 7,7 bilhões. No entanto, o resultado das estatais, especialmente dos Correios, deteriorou a projeção de déficit fiscal, ampliando a necessidade de ajustes do governo para manter o equilíbrio das contas públicas. Durigan explicou que a piora identificada não abre margem fiscal porque o governo precisou usar a folga existente no orçamento para cobrir o prejuízo operacional da companhia. A compensação ao sistema de estatais, segundo ele, impede qualquer flexibilização no espaço para novas despesas.

A situação dos Correios já vinha sendo observada com preocupação pelo Ministério da Fazenda e por analistas do mercado, que apontam queda na eficiência operacional, perda de competitividade no setor de logística e aumento dos custos da empresa como fatores que agravam o cenário. Agora, o impacto direto no resultado fiscal reforça a urgência de medidas estruturais para reequilibrar a estatal e evitar pressões persistentes nas contas públicas.

Visão Bolso do Investidor

Para o investidor, o alerta da Fazenda reforça dois pontos importantes: primeiro, o risco fiscal permanece no radar e pode influenciar juros, câmbio e expectativas de mercado. Segundo, o desempenho de estatais deficitárias afeta a credibilidade do ajuste fiscal e aumenta o desafio do governo em cumprir metas. A deterioração dos Correios, ao exigir recursos do Tesouro, reduz a margem de manobra e mantém a necessidade de condução rigorosa da política econômica. É um fator a ser monitorado, especialmente em um ambiente de incerteza fiscal e juros ainda elevados.

Fontes: Reuters