Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 08 de janeiro de 2026

O déficit comercial dos Estados Unidos registrou forte contração em outubro, alcançando o menor patamar desde meados de 2009, impulsionado principalmente pela queda nas importações. O movimento, caso se mantenha, pode fazer com que o comércio exterior volte a contribuir positivamente para o crescimento econômico americano no quarto trimestre.
De acordo com dados divulgados pelo Escritório de Análise Econômica (BEA, na sigla em inglês) e pelo Census Bureau do Departamento de Comércio, o déficit comercial caiu 39,0% em outubro, totalizando US$ 29,4 bilhões. O resultado representa o menor nível desde junho de 2009.
O número surpreendeu o mercado. Economistas consultados previam que o déficit aumentaria para US$ 58,9 bilhões. A divulgação do relatório ocorreu com atraso devido à paralisação de 43 dias do governo federal.
As importações recuaram 3,2% em outubro, somando US$ 331,4 bilhões. As importações de mercadorias caíram 4,5%, para US$ 255,0 bilhões, o menor nível desde junho de 2023. Segundo a leitura do relatório, a retração pode estar relacionada às tarifas implementadas pelo presidente Donald Trump, além de sinalizar um possível arrefecimento da demanda doméstica.
Entre os destaques, as importações de suprimentos industriais recuaram US$ 2,7 bilhões, atingindo o menor nível desde fevereiro de 2021. Esse movimento refletiu, principalmente, uma queda de US$ 1,4 bilhão nas importações de ouro não monetário, item que é excluído do cálculo do Produto Interno Bruto (PIB).
As importações de bens de consumo também apresentaram forte retração, com queda de US$ 14,0 bilhões, alcançando o nível mais baixo desde junho de 2020. O principal fator foi a redução de US$ 14,3 bilhões nas importações de preparações farmacêuticas.
Em contrapartida, as importações de bens de capital avançaram US$ 6,8 bilhões no mês, impulsionadas por compras de acessórios de informática, equipamentos de telecomunicações e computadores. O crescimento é associado, em grande parte, aos investimentos em inteligência artificial.
Do lado das exportações, houve avanço significativo. As exportações totais cresceram 2,6% em outubro, atingindo o recorde histórico de US$ 302,0 bilhões. As exportações de mercadorias subiram 3,8%, somando US$ 195,9 bilhões, também no maior patamar já registrado.
Visão Bolso do Investidor
A forte redução do déficit comercial dos Estados Unidos reforça sinais de reequilíbrio nas contas externas e pode influenciar positivamente o desempenho do PIB no curto prazo. A combinação de queda nas importações e crescimento das exportações sugere um ajuste na demanda interna e maior competitividade externa, enquanto o avanço das importações de bens de capital indica continuidade dos investimentos estruturais, especialmente em tecnologia e inteligência artificial. Para os mercados, esses dados ajudam a calibrar expectativas sobre crescimento, política monetária e dinâmica do comércio global em 2026.
Fontes:
- InfoMoney
- Reuters
