Dívida pública cresce em agosto e Tesouro eleva projeção para o estoque de títulos federais

Publicado por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 30/09/2025


Aumento expressivo e nova meta para o estoque da dívida

Em agosto, a dívida pública federal avançou 2,59% em relação a julho, alcançando R$ 8,145 trilhões. O crescimento foi resultado de novas emissões líquidas e da apropriação de juros incidentes sobre o estoque existente, segundo dados do Tesouro Nacional.

Com isso, o Tesouro revisou o Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2025, elevando a estimativa para o estoque da dívida até o fim do ano. Antes, a projeção variava entre R$ 8,1 trilhões e R$ 8,5 trilhões. Agora, o intervalo esperado é de R$ 8,5 trilhões a R$ 8,8 trilhões.


Composição e fatores de expansão

Do total, cerca de R$ 7,845 trilhões correspondem à dívida mobiliária federal interna (DPMFi) — formada por títulos emitidos no mercado doméstico. Já a dívida externa (DPFe) representa R$ 300,23 bilhões.

A estrutura da dívida em agosto ficou assim:

  • 20,95% em títulos prefixados
  • 26,10% atrelados a índices de preços
  • 49,29% vinculados à taxa Selic
  • 3,67% em títulos cambiais

O aumento observado foi resultado de R$ 136,64 bilhões em emissões líquidas e de R$ 69,33 bilhões provenientes de juros acumulados.


Reserva de liquidez reforçada

Outro ponto de destaque foi a elevação da reserva de liquidez do Tesouro, que chegou a R$ 1,134 trilhão em agosto. Esse montante é suficiente para cobrir 7,78 meses de vencimentos futuros da dívida, funcionando como um “colchão de segurança” em caso de instabilidade. A reserva subiu 14,78% em relação a julho e 23,73% frente a agosto de 2024.


Implicações e riscos

A alta da dívida e a revisão da projeção revelam desafios importantes para a política fiscal do país:

  • Maior custo do serviço da dívida, caso os juros permaneçam elevados.
  • Redução de espaço fiscal para investimentos e políticas públicas.
  • Pressão sobre a credibilidade do ajuste fiscal, especialmente em cenário de incertezas políticas e eleitorais.
  • Sensibilidade maior a choques externos, já que parte relevante da dívida está atrelada a taxas de curto prazo ou variáveis macroeconômicas.

Fonte: InfoMoney