Documentos indicam repasses ligados a Vorcaro em fundo que comprou participação de empresa de Toffoli, aponta jornal

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 15 de fevereiro de 2026

Documentos e conversas obtidos pela Polícia Federal e analisados pelo jornal O Estado de S. Paulo indicam que recursos vinculados ao banqueiro Daniel Vorcaro foram direcionados a um fundo de investimento que adquiriu participação societária relacionada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli no resort Tayayá.

Segundo a reportagem, o fundo utilizado na operação movimentou cerca de R$ 35 milhões. Os extratos analisados mostram que os aportes foram realizados pelo pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e ocorreram ao mesmo tempo em que era estruturada a sociedade entre o fundo e a empresa ligada ao ministro.

As datas também coincidem com mensagens obtidas pela Polícia Federal nas quais Vorcaro solicita a Zettel que faça aplicações milionárias no empreendimento e afirma estar sendo cobrado pelos repasses.

Toffoli havia afirmado em nota não ter recebido pagamentos de Vorcaro nem possuir relação de amizade com o banqueiro. Procurado pelo jornal no sábado (14), o ministro não se manifestou. A defesa de Vorcaro também não respondeu aos questionamentos, e os advogados de Fabiano Zettel informaram que não se pronunciariam.

Estrutura do fundo

O pastor Fabiano Zettel era o único cotista do fundo de investimentos Leal, administrado pela Reag Investimentos, instituição também investigada pela Polícia Federal no caso Master. O fundo Leal, por sua vez, era o único cotista do fundo Arleen.

Esse fundo foi utilizado para adquirir participação da família Toffoli no resort localizado em Ribeirão Claro, no Paraná.

Em 27 de setembro de 2021, o fundo Arleen tornou-se sócio das empresas Tayaya Administração e DGEP Empreendimentos, responsáveis respectivamente pela gestão e pela incorporação dos terrenos onde o empreendimento foi construído.

Na ocasião, o fundo comprou metade da participação de R$ 6,6 milhões em capital social da Maridt S.A., empresa ligada ao ministro, nessas duas companhias.

Valor do negócio

O montante de R$ 3,3 milhões referente ao capital social não representaria o tamanho total da transação. Esse valor corresponde apenas à parcela de controle societário formal da empresa, utilizada para simbolizar a participação societária e atender necessidades da companhia.

Ao adquirir essa participação, o fundo passou a deter parcela de um empreendimento avaliado em mais de R$ 200 milhões. No total, os documentos apontam que foram investidos R$ 35 milhões no resort no qual a empresa Maridt, ligada à família de Toffoli, possuía participação.

Visão Bolso do Investidor

Investigações envolvendo instituições financeiras, autoridades públicas e operações societárias tendem a elevar a atenção do mercado para aspectos de governança e segurança jurídica. O acompanhamento dos desdobramentos é relevante para investidores porque casos dessa natureza podem afetar percepção de risco institucional, confiança no ambiente regulatório e estabilidade do sistema financeiro.


Fontes:

  • InfoMoney