Dólar recua após Flávio Bolsonaro sinalizar possível desistência da disputa presidencial

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 8 de dezembro de 2025

O dólar opera em queda frente ao real nesta segunda-feira, após ter subido mais de dois por cento na sexta-feira, quando foi anunciado que o senador Flávio Bolsonaro seria o candidato escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para disputar o Palácio do Planalto nas eleições de 2026. A forte reação do mercado no último pregão refletiu a avaliação de agentes financeiros de que o senador teria menor chance de vencer a disputa, aumentando a percepção de incerteza. Durante o fim de semana, porém, Flávio indicou que pode desistir da candidatura, movimento que ajudou a reduzir parte da tensão no mercado de câmbio.

Às 11h33, o dólar comercial registrava baixa de 0,71%, negociado a R$ 5,395 na venda. Na sexta-feira, a moeda americana havia fechado em alta de 2,34%, a R$ 5,4346, ultrapassando o patamar que vinha sendo observado nas últimas semanas.

Mercado reage a sinalização de desistência

No domingo, Flávio Bolsonaro afirmou que há possibilidade de não seguir adiante na disputa eleitoral, acrescentando que sua eventual desistência teria um “preço”, a ser detalhado ainda nesta segunda-feira. A declaração abriu espaço para especulações sobre possíveis interesses políticos da família, incluindo a busca pela aprovação de anistia para envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A sinalização de saída de Flávio tende a fortalecer a possibilidade de Tarcísio de Freitas assumir a candidatura, cenário considerado menos incerto pelo mercado financeiro.

Embora o movimento de queda desta segunda-feira esteja longe de compensar o avanço registrado na sexta, ele reflete a sensibilidade das cotações ao cenário político. O dólar voltou a operar dentro da faixa entre R$ 5,30 e R$ 5,40, níveis observados nas últimas semanas, sustentados pelo diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos.

Indicadores de câmbio e expectativas

Além do dólar comercial, o dólar turismo operava com preços distintos: na compra, a R$ 5,439, e na venda, a R$ 5,619. A estabilidade relativa das projeções do mercado também foi reforçada pelo Relatório Focus divulgado nesta manhã, que manteve a estimativa mediana de R$ 5,40 para o fim de 2025 e de R$ 5,50 para o fim de 2026. As expectativas para a Selic seguem em quinze por cento ao ano no encerramento deste ano e em doze vírgula vinte e cinco por cento no próximo.

Decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos

O cenário internacional também influencia o desempenho do câmbio. Os investidores aguardam a decisão do Federal Reserve, marcada para quarta-feira, com expectativa predominante de corte de 0,25 ponto percentual, o que poderia baixar a taxa da faixa atual de 3,75% a 4,00%. No mesmo dia, o Banco Central do Brasil deliberará sobre a taxa Selic, atualmente em 15% ao ano. As apostas são majoritárias na manutenção do patamar.

O diferencial de juros entre os dois países tem sido um dos fatores mais relevantes para a sustentação do real, já que taxas mais altas no Brasil aumentam o atrativo de investimentos em renda fixa local. A volatilidade da sexta-feira ocorreu justamente porque a notícia sobre a indicação de Flávio Bolsonaro alterou, ainda que momentaneamente, a percepção de risco político. Com a sinalização de possível desistência, o mercado retoma parte da estabilidade perdida no encerramento da semana.

Visão Bolso do Investidor

A oscilação recente do dólar reforça como o ambiente político influencia diretamente a percepção de risco e o fluxo de capitais no país. Movimentos abruptos costumam ocorrer quando há dúvidas sobre rumos econômicos futuros, principalmente em períodos pré-eleitorais. Para o investidor, compreender essa dinâmica é essencial para avaliar o impacto do câmbio em diferentes classes de ativos, como renda fixa, Bolsa e investimentos internacionais. Em momentos de maior instabilidade, manter atenção a fundamentos econômicos e evitar decisões impulsivas ajuda a atravessar períodos de volatilidade com segurança e estratégia.

Fontes: InfoMoney