Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 21 de fevereiro de 2026

Uma mudança estrutural pode estar em curso nos mercados globais. A perda de confiança internacional nos Estados Unidos tem provocado uma reorientação relevante dos fluxos financeiros, reduzindo a dependência histórica dos investidores em relação à economia americana.
Especialistas já classificam o movimento como um processo de “debasement” do dólar, uma percepção de enfraquecimento estrutural da moeda, que tem levado capitais a buscar alternativas fora dos ativos tradicionais dos EUA.
Migração de recursos e nova dinâmica global
Gestores apontam que a transformação não se trata de um evento pontual, mas de uma tendência estrutural. Nos últimos meses, cresceu a migração de recursos para economias emergentes, commodities, metais preciosos e ativos reais.
O debate foi destaque em um episódio do programa Stock Pickers, com participação do economista-chefe da Truxt Investimentos, Artur Carvalho, e do gestor Bruno Garcia.
Segundo Carvalho, a mudança vai além da economia e envolve questões institucionais. Ele afirma que há preocupação crescente de países com o uso político de instrumentos financeiros por parte dos Estados Unidos.
De acordo com o economista, governos passaram a temer riscos como congelamento de reservas internacionais ou sanções financeiras, o que incentiva a redução da exposição ao dólar e a diversificação para ouro, commodities e outras moedas.
Rotation Trade e o papel da geopolítica
O chamado rotation trade — saída gradual de capital dos ativos americanos para outras regiões — tem se tornado um dos motores do mercado global.
Países que tradicionalmente mantinham reservas majoritariamente em dólar passaram a considerar alternativas, impulsionando ativos fora do eixo financeiro americano.
Esse cenário também favorece mercados emergentes, que voltam a receber fluxos de investimento internacional após anos de forte concentração de capital nos Estados Unidos.
Origem do fenômeno
Para o gestor Bruno Garcia, as raízes da perda de confiança remontam à crise financeira de 2008 e à crescente desigualdade econômica global.
Segundo ele, tensões sociais e políticas abriram espaço para mudanças de comportamento eleitoral e para governos mais intervencionistas, gerando incertezas institucionais. O efeito se espalha além dos EUA, atingindo Europa e outros países.
Essa instabilidade institucional e geopolítica tem impacto direto na alocação de recursos globais e no comportamento de investidores institucionais.
Impacto nos mercados
Com a busca por diversificação, ativos alternativos passam a ganhar relevância:
– ouro e metais preciosos
– commodities
– moedas de mercados emergentes
– economias fora do eixo EUA-Europa
A reconfiguração também pode reduzir a hegemonia financeira americana no longo prazo, alterando padrões que dominaram o sistema monetário internacional por décadas.
Visão Bolso do Investidor
Movimentos de realocação global de capital costumam influenciar diretamente o Brasil. Entrada de recursos estrangeiros tende a fortalecer moedas emergentes, apoiar bolsas locais e beneficiar empresas ligadas a commodities. Ao mesmo tempo, a dependência menor do dólar aumenta a importância da diversificação internacional nas carteiras.
Fontes:
- InfoMoney
- Debate do programa Stock Pickers com especialistas de mercado
