Economia global mudará radicalmente em uma década, alerta Nobel após “tarifaço” dos EUA

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 15/10/2025


Visão de longo prazo: choque protecionista como ponto de inflexão
Durante o evento Global Voices, realizado em São Paulo, o economista James Robinson — co-vencedor do Nobel de Economia em 2024, projetou que as recentes manifestações protecionistas dos Estados Unidos terão efeitos duradouros: “Se você pensar bem, a economia mundial será bem diferente daqui 10 anos”, afirmou. Robinson indicou que o “tarifaço” do governo Trump representa mais do que um choque comercial imediato — é um marco que acelerará transformações profundas na ordem econômica global.

Segundo ele, os EUA vêm “solapando tudo que havia lá” em termos de instituições, alianças e abertura comercial. Essa reconfiguração, segundo o economista, reflete uma nova realidade interna dos Estados Unidos, que não voltará ao modelo de globalização dos anos anteriores: “Em relação aos EUA, eles não vão voltar à mentalidade do [Joe] Biden. Esta é a nova realidade dos EUA”, disse.

Além disso, Robinson destacou que o Brasil, com cerca de 12% de exposição ao mercado americano, já vem se ajustando ao cenário em mutação. “As relações diplomáticas vão mudar. O mundo vai mudar”, declarou, ressaltando que a reorganização do sistema global já é visível em parcerias como os BRICS.


Causas por trás da mudança anunciada
Robinson identifica dois vetores principais para a ruptura esperada:

  1. Desgaste institucional nos EUA — segundo ele, os EUA passam por uma fase de erosão política, que reflete em decisões externas mais fechadas e rígidas.
  2. Pressão popular por retorno à proteção econômica — ele afirma que parte da sociedade americana não identificou benefício com a globalização e passou a apoiar medidas “autônomas” em detrimento de alianças multilaterais.

Essa nova dinâmica recalibrará cadeias de valor globais, pode estimular o fortalecimento de blocos regionais e tornar menos previsível o papel hegemônico tradicional dos EUA nas finanças e no comércio.


Implicações para Brasil e mercados emergentes
Para países emergentes como o Brasil, o alerta do Nobel traz desafios e oportunidades. A necessidade de diversificação de parceiros, fortalecimento institucional e capacidade de atuação autônoma em cadeias produtivas torna-se imperativa.

Setores exportadores que dependem fortemente do mercado americano podem perder dinamismo, enquanto aqueles com mais vocação para regionalização ou autossuficiência têm chance de se fortalecer. Investidores devem observar mudanças em fluxos internacionais de capitais, acordos comerciais e a busca por cadeias menos vulneráveis à hegemonia externa.


Conclusão
A tese de Robinson sobre uma economia global diferente daqui a dez anos não é afirmação alarmista — é um aviso estratégico. Segundo ele, o “tarifaço” dos EUA não é apenas política passageira, mas ponto de inflexão que acelera mudanças institucionais e geoeconômicas.

Para o investidor atento, a lição é clara: não basta reagir ao presente. É preciso visualizar cenários de médio e longo prazo, identificando vencedores e perdedores em um novo modelo internacional. Ajustes, resiliência e antecipação serão essenciais na próxima era do capitalismo global.

Fontes: InfoMoney