Economista alerta: boom da IA esconde riscos e pode acabar em grandes perdas individuais

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 17 de novembro de 2025

O economista Mohamed El-Erian fez um alerta contundente sobre o cenário econômico global ao afirmar que, embora o sistema financeiro permaneça estruturalmente sólido, investidores devem se preparar para perdas individuais significativas dentro do setor de inteligência artificial (IA). Segundo ele, o mercado vive uma “bolha racional” — sustentada por ganhos reais, mas acompanhada de riscos crescentes e pouca diligência em parte dos investimentos.

Durante o evento Yahoo! Finance Invest, El-Erian comparou o momento atual a um ambiente com “baratas”, e não “cupins”: problemas que aparecem em grupos e incomodam, mas não comprometem a integridade do sistema. Apesar disso, ele afirmou que inúmeros “eventos negativos de crédito” devem ocorrer porque muitos participantes do mercado “forçaram demais a busca por retorno”, impulsionados pela combinação de economia aquecida e condições financeiras mais frouxas.

Ao lado do Prêmio Nobel Mike Spence, El-Erian avaliou o forte movimento no setor de IA e concluiu que há fundamentos que justificam a valorização — mas também exageros que podem resultar em perdas expressivas. Segundo ele, empresas têm repetido um padrão comum em bolhas anteriores, como na era das pontocom, ao utilizarem o rótulo “IA” para atrair capital mesmo sem entregar resultados consistentes. Além disso, o economista destacou que o mercado direcionou grandes volumes de recursos para companhias responsáveis por modelos centrais de IA, ainda que “nem todas irão prosperar”.

Outro ponto de preocupação é a falta de políticas robustas de difusão da tecnologia. Países como China e Emirados Árabes Unidos possuem estratégias claras de implementação, enquanto os Estados Unidos ainda avançam de forma descoordenada. Para El-Erian, isso pode limitar a capacidade da IA de gerar ganhos de produtividade sustentáveis.

Ele também criticou a abordagem predominante das empresas, que têm enxergado a tecnologia apenas como um meio de cortar custos. De acordo com ele, o maior potencial da IA está no aumento da eficiência e na capacitação da força de trabalho — e não apenas na substituição de funções. No campo macroeconômico, El-Erian chamou atenção para dois desafios que podem gerar pressão significativa: o refinanciamento de dívidas a taxas mais altas e o aumento das desigualdades em um cenário econômico em formato de “K”. Famílias de baixa renda, afirmou, estão “à beira da recessão”, enfrentando endividamento elevado, renda comprimida e insegurança sobre o futuro, agravada pelas demissões em setores impactados pela IA.

O economista alertou que, se essas famílias reduzirem gastos por incapacidade financeira, o impacto subirá na cadeia e atingirá toda a economia, inclusive camadas mais altas. Para ele, formuladores de política precisam compreender que o futuro será definido “pelas extremidades da distribuição de renda, e não pelo centro”, em um mundo cada vez mais fragmentado e menos previsível.

Visão Bolso do Investidor

O alerta de El-Erian reforça a necessidade de cautela em momentos de forte euforia tecnológica. Embora a IA seja uma transformação real e profunda, isso não elimina riscos individuais, especialmente em empresas sem fundamentos sólidos. Para o investidor, o cenário exige diversificação, foco em qualidade e acompanhamento atento das mudanças macroeconômicas — especialmente juros, crédito e comportamento do consumo.

Fontes: Fortune; Yahoo! Finance Invest