Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 7 de janeiro de 2026

As eleições presidenciais de 2026 tendem a manter a polarização entre esquerda e direita observada nos últimos ciclos eleitorais, mas com uma configuração distinta no campo conservador. Sem a presença de Jair Bolsonaro nas urnas, o cenário mais provável para o segundo turno deve colocar a trajetória política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva frente à força do sobrenome Bolsonaro, avalia o cientista político Jorge Chaloub, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Com Bolsonaro inelegível desde 2023 e fora da disputa após a prisão decretada em novembro, o ex-presidente indicou o filho Flávio Bolsonaro como seu representante. Para Chaloub, a estratégia aposta na transferência de capital político familiar, algo historicamente difícil de se consolidar no Brasil.
Segundo o professor, a construção de uma candidatura presidencial exige mais do que herança eleitoral. Popularidade nacional, reconhecimento do eleitorado e redes de apoio político são fatores decisivos, e nem sempre transferíveis. Ele lembra que, mesmo em 2018, a tentativa de Lula de transferir votos a Fernando Haddad foi um feito raro, ainda que insuficiente para a vitória.
Pesquisas recentes indicam que Flávio Bolsonaro ainda não conseguiu absorver integralmente o eleitorado do pai. Levantamento do AtlasIntel mostra Lula à frente do senador em um eventual segundo turno, com vantagem mais ampla do que aquela registrada em disputas diretas contra Jair Bolsonaro em cenários anteriores.
Nesse contexto, surge com força o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, apontado como possível herdeiro de parte do eleitorado bolsonarista. Chaloub avalia que Tarcísio combina discurso técnico com sinais claros de alinhamento ideológico à direita, o que amplia seu apelo para além do núcleo familiar Bolsonaro.
Para o cientista político, uma eventual ida de Tarcísio ao segundo turno, mesmo sem vitória, pode redefinir a liderança da direita no médio prazo, deslocando o protagonismo do bolsonarismo tradicional. Nesse cenário, a eleição de 2026 deixaria de ser apenas um embate entre dois nomes e passaria a simbolizar a disputa entre uma trajetória política consolidada e a tentativa de perpetuação de um capital eleitoral familiar.
Visão Bolso do Investidor
O cenário eleitoral de 2026 reforça a importância da estabilidade política para o ambiente econômico e de investimentos. A fragmentação da direita e a força institucional de Lula tendem a influenciar expectativas fiscais, reformas e políticas públicas. Para investidores, acompanhar a consolidação, ou não, de novas lideranças será essencial para avaliar riscos e oportunidades ao longo do ciclo eleitoral.
Fontes: InfoMoney
