Empresas sofrem prejuízos milionários com trabalhos mal feitos por IA, aponta estudo

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 31/10/2025


Introdução

O avanço da inteligência artificial (IA) transformou empresas, mercados e a forma de produzir conteúdo. No entanto, o mesmo fenômeno que impulsiona lucros e produtividade está também criando um efeito colateral bilionário: o workslop — termo que combina “work” (trabalho) e “slop” (desleixo), usado para descrever tarefas superficiais geradas por IA que exigem retrabalho humano.
Estudos recentes mostram que o uso indiscriminado da tecnologia está custando tempo, dinheiro e credibilidade às organizações. Segundo o BetterUp Labs e o Stanford Social Media Lab, 40% dos profissionais receberam algum conteúdo feito por IA que precisou ser refeito, gerando prejuízo médio anual de US$ 9 milhões em empresas de grande porte.


Desenvolvimento

O problema, segundo especialistas, não está na tecnologia, mas na forma como ela é usada. Para a pesquisadora Kate Niederhoffer, coautora do estudo, o workslop é “o equivalente digital de entregar algo ‘meia-boca’ e deixar para outro corrigir”.
Na prática, profissionais recorrem à IA para cumprir tarefas rapidamente, sem reflexão crítica ou entendimento do contexto. O resultado são textos e relatórios visualmente bem apresentados, mas intelectualmente rasos, que precisam ser revisados por humanos antes de serem entregues.

O especialista em transformação digital Danilo McGarry, referência mundial em governança de IA, reforça que o erro começa na estratégia corporativa. Durante o AI Bank Summit 2025, ele afirmou que “substituir pessoas por máquinas antes de corrigir processos é o caminho mais curto para o fracasso”.
McGarry defende que o sucesso da IA depende de estruturas sólidas de governança, padrões de qualidade e métricas de impacto. Sem esses pilares, a automação deixa de ser uma vantagem competitiva e se transforma em ruído operacional.

Além das perdas financeiras, o workslop provoca um efeito psicológico nas equipes: o estudo mostra que 42% dos funcionários passaram a ver colegas como menos competentes ao descobrir que usavam IA, e 53% relataram frustração ao perceber que o conteúdo havia sido gerado por máquina.
“A IA pode ser ferramenta de colaboração ou de alienação — depende da cultura de uso”, resume McGarry.


Análise do Bolso do Investidor

O fenômeno do workslop evidencia o descompasso entre entusiasmo e preparo técnico na adoção da inteligência artificial. Muitas empresas implementam ferramentas sem treinar suas equipes, o que gera resultados inconsistentes e retrabalho.
Para o investidor, esse cenário aponta dois movimentos importantes:

  • O primeiro é o aumento da demanda por governança de IA e qualificação profissional, o que cria oportunidades em educação corporativa, consultorias e softwares de gestão de dados.
  • O segundo é a necessidade de selecionar empresas que tratam a IA como estratégia, e não como modismo tecnológico. Negócios com uso responsável e bem estruturado tendem a reduzir custos, aumentar produtividade e melhorar margens no médio prazo.

Empresas que automatizam sem gestão podem até crescer rápido, mas correm o risco de destruir valor por ineficiência e perda de reputação — um risco que o mercado começará a precificar já em 2026.


Fechamento

O desafio do próximo ciclo tecnológico será usar menos, mas usar melhor. A IA deve ser vista como amplificadora da inteligência humana, e não como substituta dela.
O futuro das empresas estará nas mãos de quem souber equilibrar eficiência e profundidade, automatização e senso crítico.
Produtividade, afinal, não nasce da automação — nasce da intenção, coordenação e qualidade humana por trás da tecnologia.


Fontes: InfoMoney; MIT Media Lab; BetterUp Labs; Stanford Social Media Lab; AI Bank Summit 2025