Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 5 de dezembro de 2025

O agronegócio brasileiro chega ao fim de 2025 enfrentando um dos cenários financeiros mais desafiadores dos últimos anos. Um setor historicamente resiliente passou a conviver com endividamento elevado, crédito mais difícil e custos financeiros que ultrapassam 20% ao ano, criando um ambiente de cautela e necessidade de forte disciplina operacional.
A avaliação é de Eduardo Monteiro, country manager da Mosaic no Brasil, entrevistado no décimo episódio do podcast Raiz do Negócio, parceria entre InfoMoney e The AgriBiz. Segundo ele, a fotografia atual do agro não deixa dúvidas sobre o tamanho da pressão financeira: a dívida total do setor gira em torno de R$ 188 bilhões, equivalente a cerca de duas safras e meia de geração de caixa, um nível considerado historicamente alto.
Monteiro explica que, apesar da Selic em torno de 15%, o risco estrutural do agronegócio faz com que produtores tomem crédito com custo efetivo superior a 20% ao ano, elevando a alavancagem e reduzindo a margem operacional. “É um segmento que demanda financiamento, e esse ambiente traz um desafio adicional ao agricultor”, afirma.
Fertilizantes: otimismo no início, desaceleração no meio do caminho
O mercado de fertilizantes até começou 2025 com forte expectativa de crescimento, mas perdeu tração a partir do fim do primeiro trimestre. A principal razão: escassez de crédito e maior exigência dos bancos, que passaram a liberar financiamentos de forma mais lenta e seletiva.
Muitos acordos com agricultores acabaram não se concretizando por falta de garantias, atrasos no Plano Safra e maior rigor nas condições. O crescimento esperado de aproximadamente 4% deve se traduzir agora em apenas 1% a 2%, o equivalente a 1 a 2 milhões de toneladas acima do ano anterior. Contudo, ao converter o volume em nutrientes, métrica que realmente importa para a capacidade produtiva, o aumento é praticamente inexistente.
Um setor cíclico que exige preparo
Monteiro afirma que a agricultura se assemelha mais a uma maratona do que a uma corrida curta. Produtores que construíram reservas financeiras e implementaram gestão de risco eficiente estão enfrentando melhor o momento. Já os que se alavancaram mais ou sofreram impactos climáticos representam a maior parte dos casos de recuperações judiciais registradas em 2025. Com cerca de 90% da safra já plantada e modelos climáticos indicando normalidade, Monteiro alerta: 2025 não permite espaço para erros.
Gestão rigorosa de custos, atenção às relações de troca e foco absoluto na rentabilidade são fundamentais para atravessar o ciclo.
Visão Bolso do Investidor
O agronegócio, apesar da força estrutural, vive um período em que liquidez vale ouro. Juros altos, crédito restrito e endividamento crescente formam um cenário que exige profissionalização extrema. Para o produtor, assim como para qualquer investidor, a lógica é a mesma: fluxo de caixa saudável, disciplina financeira e construção de reservas são fundamentais para sobreviver aos ciclos ruins.
Momentos de pressão como o atual reforçam a importância de decisões estratégicas: investir em tecnologia para aumentar produtividade, renegociar dívidas quando possível e evitar novos compromissos que comprometam o caixa futuro. No setor financeiro e no agro, sobrevive, e prospera, quem administra riscos com mais eficiência.
Fontes: InfoMoney
