Energia ganha status de porto seguro em ano eleitoral; Safra destaca Alupar

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 03 de fevereiro de 2026

A proximidade das eleições no Brasil tende a aumentar a volatilidade dos mercados ao longo de 2026, especialmente no segundo semestre. Diante desse cenário, investidores têm buscado setores capazes de oferecer previsibilidade de receita, proteção inflacionária e menor exposição ao ciclo político. Para o Banco Safra, o setor de energia elétrica reúne essas características e desponta como uma das principais alternativas defensivas no período.

Segundo análise do banco, empresas de energia contam com receitas majoritariamente indexadas à inflação, contratos de longo prazo e fluxo recorrente de dividendos, o que reduz a sensibilidade ao crescimento econômico e ao ambiente eleitoral. Além disso, o setor ainda apresenta vetores relevantes de crescimento no horizonte.

Leilões e expansão do setor

O Safra destaca que, já em 2026, estão previstos dois leilões de transmissão de energia, com capex estimado em cerca de R$ 25 bilhões. A agenda regulatória inclui ainda o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), voltado a baterias e soluções de armazenamento, que pode atrair novas empresas e ampliar oportunidades no segmento de transmissão.

Esse conjunto de fatores reforça a atratividade estrutural do setor, especialmente em um contexto de maior aversão ao risco por parte dos investidores.

Alupar é a principal aposta

Dentro do universo analisado, a principal escolha do Safra é a Alupar (ALUP11). O banco mantém recomendação de compra para a companhia, com preço-alvo de R$ 41,60 ao final de 2026, o que implica potencial de valorização próximo de 20%.

De acordo com o Safra, a Taxa Interna de Retorno (TIR) da Alupar é a mais elevada do setor, em torno de 10,6%, acima da média de 9,4% das empresas de transmissão. Outro diferencial apontado é o fato de a companhia ser a única do segmento com parte relevante de suas receitas indexadas ao dólar, resultado da expansão recente na América Latina.

Apesar de um plano de investimentos robusto — com capex estimado em R$ 5,2 bilhões na América Latina e R$ 3,9 bilhões no Brasil — o banco avalia que os fundamentos seguem sólidos. “Acreditamos que a empresa continuará buscando oportunidades na região, o que pode gerar upside adicional no futuro”, afirmam os analistas.

Taesa melhora perspectiva; ISA Energia segue pressionada

O Safra também revisou sua avaliação sobre a Taesa (TAEE11), elevando a recomendação de underperform para neutra. A mudança reflete o cenário macro mais favorável ao setor e a incorporação de novos projetos ao valuation da companhia.

Para 2026, a Taesa tem três grandes projetos em fase de conclusão, com outro previsto para 2027. Segundo o banco, a desalavancagem tende a ocorrer de forma relativamente rápida, abrindo espaço para maior distribuição de dividendos nos próximos anos. Após a entrada em operação dos projetos, o Safra estima crescimento de aproximadamente 24% no EBITDA da empresa.

Já a ISA Energia (ISAE4) permanece como o nome menos preferido pelo banco, com recomendação de underperform e preço-alvo de R$ 25,40 para o fim de 2026. A avaliação reflete uma TIR estimada em 8,2%, abaixo da média do setor, além de um nível de alavancagem considerado elevado, em função do estágio inicial do ciclo de investimentos.

Ainda assim, o Safra ressalta que a resolução do litígio com a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz) pode destravar cerca de R$ 3,5 bilhões para a companhia. A disputa envolve o reembolso de gastos previdenciários relacionados a aposentados da antiga CESP.

Visão Bolso do Investidor

Em anos eleitorais, setores com receitas previsíveis e menor exposição ao ciclo político tendem a ganhar espaço nas carteiras. O setor de energia se encaixa bem nesse perfil, combinando contratos de longo prazo, indexação inflacionária e dividendos recorrentes. Dentro desse contexto, a preferência do Safra por Alupar reflete uma busca por equilíbrio entre segurança e potencial de valorização, enquanto Taesa aparece como opção intermediária e ISA Energia segue exigindo cautela até que sua alavancagem diminua.


Fontes:

  • InfoMoney