Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 09 de fevereiro de 2026

O início de 2026 tem sido desafiador para os investidores expostos a criptomoedas na bolsa brasileira. Os principais ETFs do setor negociados na B3 acumulam quedas expressivas e registram três semanas consecutivas de baixa, refletindo o ambiente mais adverso para ativos de risco no mercado global.
Os fundos que acompanham Bitcoin, Ethereum e Solana operam pressionados no médio prazo. O BITH11, que replica o desempenho do Bitcoin, recua mais de 24% no ano. O ETHE11, atrelado ao Ethereum, cai cerca de 34%. Já o SOLH11, exposto à Solana, acumula perdas próximas de 34%.
Além do desempenho negativo, os três ativos seguem negociando abaixo de médias móveis importantes nos gráficos semanais, o que indica predominância do fluxo vendedor e ausência, por ora, de sinais consistentes de reversão de tendência.
No caso do BITH11, o ETF é negociado próximo de R$ 83 após sucessivas semanas de desvalorização. Tecnicamente, a região da média de longo prazo funciona como um suporte relevante e, se perdida, pode abrir espaço para novas quedas. Ao mesmo tempo, o forte afastamento dos preços em relação às médias sugere um movimento já bastante esticado, aumentando a possibilidade de repiques pontuais de curto prazo.
O ETHE11 apresenta cenário ainda mais pressionado. O fundo opera abaixo das principais referências técnicas de preço e mostra maior intensidade de queda. Mesmo com eventuais recuperações temporárias, a estrutura gráfica ainda indica domínio dos vendedores, o que mantém o risco elevado para quem busca antecipar uma virada.
Situação semelhante ocorre com o SOLH11. O ETF acompanha o enfraquecimento da Solana e segue em trajetória descendente, testando regiões próximas às mínimas históricas. Assim como nos demais casos, o comportamento recente sugere sobrevenda no curto prazo, mas sem confirmação de mudança estrutural.
O contexto externo ajuda a explicar o movimento. A redução de liquidez global, juros elevados por mais tempo nas principais economias e menor apetite a risco têm pressionado ativos digitais. Como criptomoedas ainda são vistas como investimentos mais voláteis e especulativos, elas costumam sofrer mais intensamente em períodos de aversão ao risco.
Mesmo com essa pressão, alguns investidores enxergam os níveis atuais como oportunidades de entrada gradual, apostando em uma recuperação no longo prazo. Outros preferem aguardar sinais mais claros de estabilização antes de aumentar a exposição.
Visão Bolso do Investidor
Criptomoedas e ETFs cripto são, por natureza, ativos de alta volatilidade. Em momentos de aperto monetário e juros elevados, o capital tende a migrar para investimentos mais previsíveis, como renda fixa, deixando o setor digital mais sensível a quedas.
Para o investidor pessoa física, a principal lição não é tentar acertar o fundo do poço, mas sim entender o papel desse tipo de ativo dentro da carteira. Exposição excessiva pode aumentar muito o risco, enquanto uma alocação pequena e planejada pode funcionar como diversificação e potencial de retorno assimétrico no longo prazo.
Mais importante do que “comprar barato” é manter disciplina, gestão de risco e horizonte de tempo adequado. Cripto não deve ser aposta, e sim estratégia consciente dentro de um portfólio equilibrado.
Fontes:
- InfoMoney
