Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 15 de novembro de 2025

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta sexta-feira (15) um decreto que isenta uma ampla variedade de alimentos — entre eles carne bovina, tomates, café e bananas — das tarifas aplicadas no início do ano sobre quase todos os países. A medida, segundo a Casa Branca, busca responder às crescentes preocupações da população norte-americana com os preços elevados dos alimentos.
O decreto representa uma mudança significativa na política comercial do governo Trump, que vinha defendendo que suas tarifas não estavam contribuindo para a inflação. As isenções passam a valer retroativamente a partir da meia-noite de quinta-feira, e eventuais reembolsos seguirão as regras da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA.
A decisão ocorre após uma série de vitórias democratas em eleições estaduais e municipais em estados como Virgínia, Nova Jersey e Nova York, onde o custo de vida foi um tema central. O governo norte-americano tem intensificado esforços para lidar com o impacto da inflação na popularidade do presidente.
Mudanças na política tarifária e novos acordos comerciais
Trump vinha adotando uma estratégia agressiva no comércio internacional, impondo tarifas gerais de 10% sobre importações de todos os países, além de encargos adicionais que variam conforme o estado norte-americano. O decreto desta sexta-feira segue a linha de uma nova estrutura de acordos comerciais anunciada no dia anterior, que prevê a eliminação de tarifas sobre alimentos e outros itens provenientes de Argentina, Equador, Guatemala e El Salvador, assim que os acordos forem concluídos.
As autoridades norte-americanas afirmam que novos acordos podem ser assinados ainda neste ano, ampliando a lista de países beneficiados.
O presidente tem insistido que os custos elevados enfrentados pelos consumidores são resultado de políticas do ex-presidente Joe Biden — e não das próprias tarifas impostas. No entanto, economistas apontam que parte do aumento nos preços dos alimentos foi impulsionada pelas barreiras comerciais e pode se intensificar no próximo ano, quando empresas começarem a repassar integralmente os custos.
Richard Neal, principal democrata do Comitê de Meios e Recursos da Câmara dos Deputados, criticou duramente o governo, dizendo que Trump estaria “apagando um incêndio que ele próprio iniciou”. Neal afirmou que a guerra comercial aumentou custos, impulsionou a inflação e contribuiu para a contração da manufatura nos EUA.
Impacto para o Brasil
Entre os países exportadores, o Brasil deve estar entre os maiores beneficiados, por ser o maior produtor global de café e o segundo maior produtor de carne bovina. A redução das tarifas tende a melhorar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano, ampliando potencialmente o volume exportado.
Visão Bolso do Investidor
A reversão parcial das tarifas impostas pelos Estados Unidos aponta para um reposicionamento estratégico do governo Trump diante da pressão inflacionária e eleitoral. Para o investidor brasileiro, a medida pode gerar impactos positivos em empresas ligadas ao agronegócio — especialmente nos segmentos de café e proteína bovina, onde o Brasil é protagonista global.
Ao mesmo tempo, a movimentação reforça a volatilidade do ambiente comercial internacional e a necessidade de acompanhar negociações tarifárias que podem alterar significativamente a competitividade de setores exportadores. Oscilações em políticas comerciais dos EUA tendem a influenciar tanto preços de commodities quanto o ritmo das exportações brasileiras nos próximos trimestres.
Fontes:
- InfoMoney
