Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 12 de janeiro de 2026

Líderes europeus, com destaque para Reino Unido e Alemanha, articulam a criação de uma presença militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Groenlândia. A iniciativa busca reforçar a segurança no Ártico e, ao mesmo tempo, neutralizar o discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a afirmar publicamente o interesse americano em “adquirir” o território autônomo da Dinamarca.
De acordo com informações obtidas pela Bloomberg, autoridades alemãs trabalham em uma proposta para estabelecer uma missão conjunta da Otan voltada à proteção do Ártico. A ideia ganhou tração após o aumento da retórica de Washington sobre a Groenlândia e a recente operação americana que resultou na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro, episódio que elevou o grau de alerta entre aliados europeus quanto à disposição dos EUA de usar força militar para alcançar objetivos estratégicos.
Reino Unido e Alemanha lideram articulação
O primeiro-ministro britânico Keir Starmer vem pressionando parceiros europeus a ampliar a presença de segurança no extremo norte do continente. Nos últimos dias, ele manteve conversas com o presidente francês Emmanuel Macron e com o chanceler alemão Friedrich Merz para discutir a resposta europeia às tensões no Ártico.
Fontes envolvidas nas tratativas afirmam que o objetivo central é demonstrar que a Europa e a Otan são capazes de garantir a estabilidade regional, reduzindo o argumento de que apenas os Estados Unidos teriam condições de assegurar a segurança da Groenlândia diante de interesses de potências como Rússia e China.
Proposta de missão “Arctic Sentry”
Segundo pessoas a par das negociações, a Alemanha deve sugerir formalmente a criação de uma missão da Otan chamada “Arctic Sentry”, nos moldes da operação “Baltic Sentry”, lançada há cerca de um ano para proteger a infraestrutura crítica no Mar Báltico. A nova missão teria como foco vigilância, dissuasão e coordenação de forças aliadas na região ártica.
O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, deve tratar do tema nesta semana com o secretário de Estado americano Marco Rubio. Em comunicado, Wadephul destacou que a segurança no Ártico ganhou relevância estratégica e que a discussão precisa ocorrer dentro do âmbito da Otan, levando em conta rivalidades crescentes envolvendo Rússia e China.
Retórica de Trump e reação europeia
Trump voltou a afirmar, nos últimos dias, que os Estados Unidos “possuiriam” a Groenlândia, alegando razões de segurança nacional. Em declaração a jornalistas a bordo do Air Force One, o presidente disse que a aquisição seria necessária para evitar que o território caísse sob influência russa ou chinesa, reconhecendo que os EUA já mantêm uma base militar relevante na ilha.
As falas reacenderam temores entre aliados europeus sobre a possibilidade de Washington recorrer a meios coercitivos. Embora Trump tenha indicado preferência por uma compra, e não por intervenção militar, o tom do discurso levou a uma intensificação da atividade diplomática no continente.
Enquanto Reino Unido e Alemanha buscam uma resposta coordenada via Otan, a Dinamarca aposta em uma ofensiva diplomática direta. Os chanceleres Lars Lokke Rasmussen e Vivian Motzfeldt planejam viajar a Washington para contestar o que Copenhague considera exageros e erros factuais nas alegações de segurança feitas pelo governo americano.
Visão Bolso do Investidor
A movimentação europeia em torno da Groenlândia evidencia como a geopolítica voltou a influenciar diretamente decisões estratégicas no Atlântico Norte e no Ártico. Para o investidor, o episódio reforça a importância de acompanhar tensões entre aliados tradicionais, já que disputas por territórios estratégicos e rotas energéticas podem impactar cadeias globais, gastos militares e a percepção de risco em mercados desenvolvidos. A tentativa da Europa de institucionalizar a resposta dentro da Otan busca reduzir volatilidade e evitar rupturas mais profundas na aliança transatlântica.
Fontes:
- InfoMoney
- Bloomberg
