Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 24/10/2025

O avanço da inteligência artificial e da robótica vem transformando o mercado de trabalho, mas, para Aaron Parness — diretor de engenharia da Amazon Robotics e ex-pesquisador da NASA —, essa revolução não precisa ser vista como uma ameaça. Em entrevista durante o evento Delivering the Future, na Califórnia, o engenheiro afirmou que a tecnologia deve gerar mudanças profundas nas funções humanas, mas ressaltou que a adaptação e a aprendizagem contínua são as chaves para manter a relevância profissional.
A transformação tecnológica e o novo papel do trabalhador
Segundo Parness, a automação está remodelando tarefas dentro de empresas como a Amazon, que já utiliza robôs e sistemas inteligentes em mais de 75% dos pedidos processados globalmente. Apesar disso, ele refuta a ideia de que a inteligência artificial vá substituir em massa os trabalhadores.
“O que acontece não é a eliminação de empregos, e sim uma mudança de função”, explicou o engenheiro, destacando que a tecnologia transfere pessoas de atividades repetitivas para funções de maior valor agregado. Essa migração, chamada de upskilling, é hoje uma das principais apostas da Amazon para lidar com a transição digital e preservar o capital humano.
Parness ressaltou que o medo da automação é natural, mas contraproducente. “Ignorar o avanço tecnológico é o pior erro que alguém pode cometer. O segredo está em aprender a trabalhar com ele”, disse.
As duas recomendações para não ser substituído pela IA
Parness, que dedicou mais de dez anos a projetos de exploração espacial na NASA antes de ingressar na Amazon, compartilhou duas orientações para quem teme perder espaço na era da IA.
A primeira é manter-se disposto a aprender constantemente. Ele destacou que o aprendizado contínuo deve se tornar parte da rotina profissional, e não uma reação a crises. Para o engenheiro, as pessoas que buscam novas habilidades — mesmo fora de sua área original — têm mais chances de crescer dentro das empresas e ocupar posições ligadas à supervisão de processos automatizados.
A segunda dica é aceitar novas oportunidades, mesmo que pareçam desafiadoras ou fora da zona de conforto. “Muitos profissionais perdem grandes chances porque acham que não se encaixam em um novo cargo. A verdade é que ninguém nasce preparado para o futuro — ele é construído com o tempo”, afirmou.
A visão da Amazon sobre o futuro da força de trabalho
A Amazon tem investido fortemente em programas de treinamento e qualificação para preparar seus funcionários para essa nova realidade. A empresa aposta na criação de oportunidades internas, incentivando colaboradores a migrar de tarefas operacionais para funções ligadas à programação, engenharia, coordenação logística e supervisão de robôs.
Parness afirma que esse modelo de aprendizado interno e requalificação será o caminho mais eficaz para evitar que trabalhadores sejam deixados para trás. Ele também reforçou que, assim como em seus anos na NASA, o segredo para se destacar em um ambiente tecnológico está em cultivar a curiosidade e a mentalidade de crescimento.
Visão do Bolso do Investidor
As declarações de Aaron Parness reforçam que o avanço da automação e da inteligência artificial não deve ser encarado apenas como uma ameaça ao emprego, mas como um ponto de inflexão econômico e corporativo.
Para investidores, o recado é claro: empresas que combinam tecnologia com qualificação humana têm mais chances de se manter sustentáveis no longo prazo. O verdadeiro diferencial competitivo estará nas companhias capazes de adaptar seu quadro de funcionários às novas demandas digitais.
No mercado de capitais, isso significa que negócios com forte investimento em inovação e treinamento tendem a reduzir custos operacionais e aumentar produtividade — fatores que influenciam diretamente o valor das ações e a percepção de risco.
Conclusão
A visão de um dos principais engenheiros da Amazon Robotics mostra que a era da IA não será marcada pela extinção dos empregos, mas pela reinvenção deles. Profissionais que mantêm a mente aberta, aprendem continuamente e aceitam desafios estarão um passo à frente.
Para o investidor, acompanhar como as empresas lidam com essa transição será essencial para entender quais setores — e quais corporações — estão realmente preparadas para o futuro do trabalho.
Fontes:
