Exportação recorde de soja? Puxada pela China, o Brasil deve atingir novo marco histórico

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 08/10/2025

As exportações brasileiras de soja estão prestes a atingir um recorde anual, impulsionadas pela forte demanda da China, que continua como principal compradora do grão nacional. Analistas estimam que, com os embarques recentes e o ritmo das vendas externas, o país poderá superar marcas históricas ano a ano.

Dados compilados apontam que entre janeiro e setembro de 2025, o volume exportado de soja brasileira já cresceu significativamente, reflexo de exportações consistentes para a China, que foi responsável por absorver boa parte do excedente da safra nacional. A alta nas vendas ajuda a sustentar o superávit da balança comercial agrícola e a fortalecer o agro no cenário externo.

Vários fatores contribuem para esse desempenho. Um deles é o câmbio: com o real mais desvalorizado frente ao dólar, os produtos agrícolas nacionais ficam mais competitivos no mercado internacional. Outro ponto é a quebra de safras em grandes concorrentes — como Estados Unidos e Argentina — que reduz a oferta global e favorece os vendedores com capacidade de entrega estável, como o Brasil.

Além disso, os estoques domésticos de soja estão menores em função da colheita tardia e das condições climáticas irregulares em algumas regiões. Isso levou produtores a anteciparem as exportações para evitar perdas ou deterioração do grão. Em paralelo, os portos brasileiros operaram em regime forte de movimentação, ajudando a dar vazão à demanda externa.

O cenário também é beneficiado por acordos comerciais vigentes e pela manutenção da matriz logística do país ativa para carga graneleira. A estrutura portuária e ferroviária, ainda que sob pressão, vem sendo utilizada com eficiência para escoamento dos volumes recordes. Em anos anteriores, gargalos de logística já tinham limitado o potencial exportador — desta vez, o setor parece estar mais alinhado para dar suporte ao desempenho.

Entretanto, existem riscos. Há preocupação com o aumento dos custos de transporte, elevação do frete marítimo e restrições logísticas pontuais que podem frear parte do avanço. Se um gargalo for detectado em algum porto ou modal, ele pode comprometer envios previstos e forçar a renegociação de contratos.

Outro risco é a constante oscilação da demanda chinesa. Se a China revisar suas compras em função de políticas internas, estoques regulatórios, clima ou ajustes econômicos, o Brasil pode ser forçado a buscar outros mercados para escoar o volume excedente, o que pode pressionar preços. Ou seja: a dependência de um único comprador acende um foco de vulnerabilidade.

Apesar dos riscos, o mercado segue otimista. Alguns especialistas afirmam que o Brasil ainda tem margem para crescer nesse segmento, desde que o setor agrícola mantenha produtividade elevada, os portos não sofram paradas e que as condições climáticas não agravem perdas. Em função disso, muitos exportadores estão acelerando embarques para aproveitar o “momentum” de demanda alta.

Se o recorde for confirmado até o final do ano, será mais um indicativo de que o agronegócio continua sendo um dos pilares da economia brasileira e um dos motores de geração de divisas e estabilidade cambial. A expectativa fica de que os dados finais consolidados de 2025 confirmem um volume que supere os obtidos nos anos anteriores.


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