Exportações do Brasil aos EUA caem 25,5% em janeiro e acumulam sexto mês seguido de retração

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 6 de fevereiro de 2026

As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram queda de 25,5% em janeiro de 2026, marcando o sexto mês consecutivo de retração nas vendas ao principal parceiro comercial do país. O valor embarcado somou US$ 2,40 bilhões, ante US$ 3,22 bilhões no mesmo mês do ano passado.

As importações também recuaram, mas em menor intensidade, com baixa de 10,9%, totalizando US$ 3,07 bilhões. Com isso, a balança comercial bilateral fechou o mês com déficit de US$ 670 milhões para o Brasil.

Tarifas elevadas seguem pressionando o comércio

A sequência de quedas nas exportações está associada às tarifas adicionais impostas pelo governo do presidente Donald Trump em meados de 2025. A sobretaxa de até 50% aplicada a produtos brasileiros encareceu as vendas ao mercado norte-americano, reduzindo a competitividade de empresas exportadoras.

Embora parte dos itens tenha sido retirada da lista de penalidades no fim do ano passado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços estima que ainda cerca de 22% da pauta exportadora brasileira para os EUA permanece sujeita a tarifas elevadas. Nesse grupo estão tanto mercadorias com sobretaxa adicional de 40% quanto produtos que acumulam essa alíquota extra com a tarifa-base de 10%.

Principais produtos afetados

Entre os segmentos mais impactados estão bens industriais e manufaturados, que tradicionalmente têm maior valor agregado e dependem do mercado norte-americano. Produtos siderúrgicos, itens metalúrgicos, componentes industriais e bens intermediários estão entre os mais atingidos pelas sobretaxas, segundo dados do comércio exterior.

Esses setores enfrentam perda de competitividade frente a concorrentes de outros países, que conseguem acessar o mercado dos EUA com custos menores. Como resultado, empresas brasileiras têm buscado redirecionar exportações para outros destinos ou reduzir volumes embarcados.

Impacto prolongado nas vendas externas

O cenário tarifário tem mantido pressão contínua sobre o desempenho comercial do Brasil com os Estados Unidos desde o segundo semestre de 2025. A persistência do déficit comercial reforça a dificuldade de recuperação no curto prazo, enquanto não houver revisão das barreiras impostas.

O enfraquecimento das exportações para os EUA ocorre em um momento em que o país busca diversificar mercados e ampliar acordos comerciais para compensar perdas em destinos estratégicos.

Visão Bolso do Investidor

A queda nas exportações para os Estados Unidos afeta diretamente empresas exportadoras, especialmente dos setores industrial e siderúrgico, podendo pressionar receitas, margens e investimentos. Para investidores, o avanço de tarifas e disputas comerciais eleva o risco para companhias dependentes do comércio exterior. A diversificação de mercados e acordos bilaterais torna-se fator-chave para reduzir a exposição a choques externos e preservar a competitividade das empresas brasileiras.

Fontes: Estadão Conteúdo; InfoMoney