Febre do ouro: juros, China e criptos impulsionam metal — será hora de investir?

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 22 de setembro de 2025


Ouro dispara em 2025 e supera todos os principais ativos

O ano de 2025 tem sido marcado por uma verdadeira corrida pelo ouro. O metal acumula alta de quase 40% até setembro, muito acima do desempenho de outros ativos globais: S&P 500 (+12,52%), Ibovespa (+20,7%) e até mesmo o Bitcoin (+26,16%). Esse movimento coloca o ouro como protagonista em um cenário de incerteza política, econômica e geopolítica.


Fatores que explicam a valorização

  1. Política monetária nos EUA
    O Federal Reserve iniciou cortes de juros em setembro, e há expectativa de que reduções adicionais ocorram até 2026. Juros mais baixos reduzem a atratividade de títulos do Tesouro, abrindo espaço para que investidores busquem ativos de proteção, como o ouro.
  2. China como compradora estratégica
    O Banco Central da China segue ampliando suas reservas de ouro, num movimento que se intensificou nos últimos dois anos. A estratégia é vista como tentativa de reduzir dependência do dólar americano e diversificar ativos de reserva. Esse movimento tem sustentado parte da alta do preço do metal.
  3. Geopolítica instável
    As guerras na Ucrânia e no Oriente Médio (entre Israel e Hamas) e tensões comerciais entre grandes economias têm alimentado a aversão ao risco, reforçando a busca por ativos considerados porto seguro.
  4. Criptomoedas como fator complementar
    Ainda que voláteis, stablecoins lastreadas em ouro e a correlação entre movimentos de Bitcoin e metais preciosos têm ajudado a atrair novos investidores, principalmente os mais jovens, para o mercado do ouro.

Projeções de preço

O Deutsche Bank revisou sua projeção e estima que o ouro possa alcançar US$ 4.000 por onça troy até 2026, patamar que representaria nova alta próxima a 10% em relação aos níveis atuais. Outros bancos, como JPMorgan e UBS, também preveem continuidade da tendência de valorização, embora com ressalvas sobre eventuais pressões deflacionárias ou maior apetite por risco em bolsas de valores.


Formas de investir no ouro

  • Compra física: lingotes, barras ou moedas, com custos de custódia e segurança.
  • ETFs e fundos: no Brasil, opções como o GOLD11 permitem acompanhar diretamente o preço do ouro em Bolsa, com praticidade.
  • Ações de mineradoras: empresas globais que produzem ouro se beneficiam com a alta do preço, mas estão expostas a riscos de operação, energia e regulação.
  • Criptoativos lastreados: tokens como Pax Gold (PAXG) ou Tether Gold (XAUT) oferecem liquidez digital, mas exigem cuidado quanto à confiabilidade do emissor.

Riscos e pontos de atenção

  • O ouro não gera renda passiva — o retorno depende da valorização do preço.
  • A volatilidade de curto prazo é significativa: em ciclos passados, o metal caiu mais de 20% em poucos meses mesmo após períodos de forte alta.
  • Custos de custódia (para ouro físico) e taxas de gestão (ETFs e fundos) impactam o retorno líquido.
  • Se os juros globais não caírem tanto quanto esperado, parte do otimismo pode ser reduzido.

O ouro no portfólio de investidores

Historicamente, o ouro funciona como hedge contra inflação, crises políticas e instabilidade cambial. Analistas sugerem alocação de 2% a 10% da carteira para diversificação. Em momentos de alta volatilidade, essa fatia pode proteger perdas em ativos de risco, embora não deva ser vista como substituto de investimentos de renda fixa ou ações no longo prazo.


Fechamento explicativo:
A valorização recente mostra que o ouro continua cumprindo sua função como porto seguro em meio a crises e mudanças no cenário econômico global. Com juros em queda, geopolítica tensa e movimentos estratégicos de grandes compradores como a China, o metal deve seguir no radar de investidores. Para quem pensa em investir agora, a recomendação é cautela: a alta já é significativa, mas o ouro segue sendo peça-chave de proteção e diversificação em qualquer portfólio.

Fontes: