Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 11 de dezembro de 2025

O Federal Reserve decidiu nesta quarta-feira (10) reduzir a taxa básica de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,50% e 3,75%. A decisão, alinhada às expectativas do mercado, ocorreu em meio às incertezas provocadas pela recente paralisação de 43 dias do governo federal, que atrasou indicadores econômicos importantes.
A votação foi dividida. Enquanto alguns dirigentes defendiam manter a taxa inalterada, outros argumentavam por um corte maior. O presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, e o presidente do Fed de Kansas City, Jeffrey Schmid, queriam estabilidade. Já Stephen Miran defendia um corte de 0,50 ponto. Mesmo assim, prevaleceu o corte moderado. Apesar da redução, o comunicado do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) deixou claro que novas quedas não estão garantidas. O texto adotou linguagem típica de períodos de pausa, sugerindo que a autoridade monetária aguardará dados mais completos sobre inflação e mercado de trabalho antes de decidir os próximos passos. A inflação “permanece um pouco elevada”, segundo o Fed.
Cenário econômico mais incerto após paralisação
A greve do governo norte-americano deixou lacunas relevantes nas estatísticas econômicas, atrasando relatórios de emprego, inflação e atividade. Os últimos dados oficiais disponíveis são de setembro, quando o desemprego subiu para 4,4% e a inflação medida pelo índice preferido do Fed alcançou 2,8%, acima da meta de 2%. Os números de outubro e novembro, que serão divulgados nos próximos dias, devem orientar as próximas decisões de política monetária, especialmente considerando que 2026 é ano de eleição de meio mandato nos EUA, o que coloca ainda mais pressão política sobre o desempenho da economia.
Expectativas do mercado
O mercado esperava não apenas a decisão de hoje, mas também um sinal sobre a trajetória futura dos juros. A divisão entre dirigentes mais cautelosos (hawkish) e aqueles preocupados com desaceleração econômica gerou expectativas divergentes. Parte dos investidores ainda acredita que o Fed fará até dois cortes em 2026, enquanto outra parcela vê risco de manutenção prolongada caso a inflação siga pressionada pelos efeitos das tarifas de importação, que têm elevado os custos para consumidores.
Atividade e mercado de trabalho
Segundo o comunicado, a economia americana continua se expandindo “em ritmo moderado”, mas com sinais de arrefecimento no mercado de trabalho ao longo de 2025. A autoridade monetária retirou a expressão que descrevia o desemprego como “baixo”, reforçando a interpretação de que há preocupação com fragilidade no emprego.
Visão Bolso do Investidor
A decisão do Fed impacta diretamente o cenário global de investimentos, incluindo o Brasil. Juros menores nos EUA podem aliviar a pressão sobre moedas emergentes, impulsionar entrada de capital em países como o Brasil e favorecer ativos de risco, como ações. Por outro lado, a comunicação prudente do Fed indica que não há um ciclo claro de cortes ainda, e que a instituição continua bastante atenta à inflação. Para o investidor brasileiro, o recado é de cautela, mas não de pessimismo. Em cenários de transição monetária, a diversificação e a visão de longo prazo são essenciais para evitar decisões precipitadas baseadas apenas em expectativas de curto prazo.
Fontes: Infomoney
