FIIs encerram 2025 com recorde histórico de investidores e liquidez resiliente

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 22 de janeiro de 2026

Mesmo em um ano marcado por política monetária restritiva e juros elevados, o mercado de fundos imobiliários no Brasil encerrou 2025 com números históricos de participação e negociação. Ao fim do ano, 2,96 milhões de investidores, entre pessoas físicas e jurídicas, mantinham posições em FIIs, consolidando um crescimento de 6,4% em relação a dezembro de 2024, quando a base somava 2,785 milhões.

Os dados constam do boletim mensal divulgado pela B3, que evidencia a continuidade do processo de amadurecimento da indústria, mesmo em um cenário macroeconômico mais desafiador.


Liquidez cresce e dezembro acelera negociações

Em termos de liquidez, o volume financeiro total negociado em fundos imobiliários ao longo de 2025 atingiu R$ 84,8 bilhões, com um volume médio diário (ADTV) de R$ 339 milhões no acumulado do ano.

No entanto, o destaque ficou para o mês de dezembro, quando o ritmo de negociações ganhou tração significativa. O ADTV saltou para R$ 483 milhões, uma alta de 42% em relação à média anual, impulsionado pela realização de 9,3 milhões de negócios no período.

O movimento reflete não apenas maior interesse dos investidores no encerramento do ano, mas também uma recuperação gradual da confiança no segmento após anos de ajustes provocados pelo ciclo de alta dos juros.


Perfil dos investidores: base pulverizada, negociações equilibradas

A estrutura de custódia do mercado de FIIs segue amplamente concentrada no investidor pessoa física, que responde por 72,9% do estoque total de cotas. Os investidores institucionais detêm 21,2%, enquanto os não residentes representam 4,5% da base.

Já quando o recorte é feito sobre o volume negociado, a distribuição se mostra mais equilibrada. Em dezembro, as pessoas físicas responderam por 42,1% das transações, seguidas pelos investidores institucionais (35,8%) e pelos não residentes (19,3%).

Esse equilíbrio reforça a crescente participação de agentes mais sofisticados na liquidez do mercado, mesmo com a base estrutural ainda predominantemente formada por investidores individuais.


Fundos mais negociados e protagonismo logístico

Entre os fundos mais líquidos do último mês de 2025, o CPLG11 liderou o ranking, com ADTV de R$ 25,6 milhões, o equivalente a 5,3% de todo o volume negociado no mês.

Na sequência, apareceram o BTLG11, com R$ 21,4 milhões (4,4%), e o TRXF11, com R$ 20,9 milhões (4,3%). A lista reforça o protagonismo dos fundos logísticos entre os ativos mais negociados do mercado, refletindo a forte demanda estrutural por galpões e centros de distribuição.


IFIX sobe 21% e consolida recuperação do setor

No desempenho dos índices, o IFIX avançou 1,3% em dezembro e encerrou 2025 com valorização acumulada de 21,1%, sinalizando uma recuperação consistente do segmento após períodos mais desafiadores.

Já o IMOB, índice que reúne ações de empresas ligadas ao setor imobiliário, apresentou desempenho ainda mais expressivo. O indicador subiu 3,1% no último mês do ano e acumulou alta de 74,6% em 2025, refletindo o forte movimento de reprecificação das empresas do setor na Bolsa.


Indústria amadurece e amplia acesso ao mercado imobiliário

Para Bianca Maria, gerente de Produtos da B3, o crescimento da indústria reflete a consolidação dos fundos imobiliários como uma das principais portas de entrada para o mercado imobiliário brasileiro.

Segundo ela, o estoque total de R$ 194 bilhões em FIIs ao fim de 2025 é um sinal claro de amadurecimento do segmento. “É uma opção para quem quer investir em imóveis sem precisar de grandes quantias, contando com governança, transparência e toda a infraestrutura oferecida pela B3”, afirma.


Visão Bolso do Investidor

O recorde de investidores e a recuperação da liquidez mostram que os fundos imobiliários atravessaram o ciclo de juros altos sem perder relevância. Mais do que um movimento conjuntural, os dados indicam amadurecimento estrutural da indústria, com base pulverizada, maior presença institucional e índices em trajetória de recuperação. Para o investidor, os FIIs seguem se consolidando como instrumento de renda, diversificação e acesso ao mercado imobiliário — agora em um ambiente mais seletivo, onde qualidade dos ativos, gestão e localização fazem ainda mais diferença.


Fontes:

  • InfoMoney