Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 26 de novembro de 2025

A Jeitto, fintech especializada em crédito voltado principalmente às classes C e D, projeta alcançar cerca de R$ 800 milhões em receita até o fim de 2025. A empresa, que agora se prepara para ampliar sua atuação para o público B- e para o segmento de financiamento de saúde, foi fundada em 2015 por Fernando Silva, empresário com experiência consolidada em mercados emergentes como Rússia e Nigéria.
Silva acumulou trajetória no setor financeiro com passagens por Brasil, Portugal e Espanha antes de receber o convite, em 2003, para estruturar a operação do banco Renaissance Credit na Rússia. A instituição tornou-se uma das três maiores do país em crédito até 2009, quando ele deixou o cargo. Em 2012, o executivo embarcou para um novo desafio: implantar a primeira financeira da Nigéria. A vivência em economias complexas e com públicos vulneráveis, segundo ele, o motivou a retornar ao Brasil para criar o Jeitto.
A inspiração para o modelo de negócios veio, em parte, dos chamados “pastinhas”, agentes que atuavam em regiões movimentadas de São Paulo oferecendo crédito informal. Esses intermediários atraíam clientes que buscavam pequenos valores emergenciais, mas frequentemente retornavam com empréstimos muito maiores, de longo prazo e com juros elevados — gerando endividamento desnecessário.
Como funciona o modelo de crédito do Jeitto
Buscando se afastar dessa lógica, o Jeitto desenvolveu um motor de decisão baseado em dados comportamentais extraídos do uso de telefones celulares. Mesmo com a disseminação de aplicativos como WhatsApp, o sistema manteve sua eficácia ao analisar um conjunto de cerca de 2 mil pontos de dados para avaliar a concessão de crédito.
A fintech prioriza empréstimos menores, destinados a consumidores com pouco acesso a crédito no sistema tradicional. Para o crédito pessoal, o valor máximo liberado é de R$ 3 mil. No crédito digital mensal, o limite é de R$ 500. O portfólio de produtos inclui desde empréstimos pessoais até crédito consignado.
Com a expectativa de alcançar R$ 800 milhões em faturamento em 2025, a empresa também se prepara para avançar em novas frentes de atuação.
Silva explica que o Jeitto mira agora o financiamento de tratamentos dentários, um mercado com forte demanda e tíquetes elevados. Segundo estimativas internas, os valores para procedimentos como implantes e tratamentos completos variam entre R$ 5 mil e R$ 7 mil. A nova linha deve ser lançada já no primeiro trimestre, alcançando um público que naturalmente se aproxima da classe B-, apesar de a vocação da companhia seguir voltada às classes C e D.
Visão Bolso do Investidor
O crescimento do Jeitto reflete a expansão contínua das fintechs voltadas ao público de renda média e baixa, que historicamente enfrenta barreiras no acesso ao crédito tradicional. Modelos alternativos de análise, como o uso de dados comportamentais, buscam reduzir inadimplência e ampliar a inclusão financeira. A entrada da empresa em segmentos como saúde e financiamentos de maior tíquete sugere um movimento de diversificação que pode abrir novas avenidas de receita. Para o investidor, o avanço das fintechs mostra um setor em transformação contínua, impulsionado por tecnologia, análise de dados e demanda reprimida por soluções de crédito mais acessíveis.
Fontes:
- Infomoney
