Fintechs conquistam moradores de favelas e superam grandes bancos em popularidade, aponta pesquisa

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 23/10/2025

As fintechs estão ganhando espaço e confiança nas comunidades brasileiras. Segundo levantamento do Instituto Data Favela, realizado em parceria com a Locomotiva e a Cufa (Central Única das Favelas), instituições digitais como Nubank, Mercado Pago e PagBank ultrapassaram bancos tradicionais como Caixa Econômica Federal e Bradesco em popularidade entre os moradores de favelas. O estudo revela uma mudança estrutural no comportamento financeiro da base da pirâmide, e mostra como o acesso digital vem transformando a relação dessas comunidades com o sistema bancário.


Crescimento das fintechs e novo perfil do público

O levantamento mostra que 87% dos moradores de favelas brasileiras possuem conta em banco ou instituição financeira digital, índice que há poucos anos era inferior a 50%. Entre esses, 68% afirmam usar preferencialmente fintechs para movimentar dinheiro, pagar contas, enviar transferências e até investir — ultrapassando pela primeira vez os grandes bancos estatais.

O Nubank aparece como o banco mais lembrado pelos entrevistados, seguido de Mercado Pago, PagBank, Caixa e Itaú. A facilidade de abertura de conta, ausência de tarifas e o uso intuitivo dos aplicativos estão entre os principais motivos que levaram à mudança.

Outro dado relevante é que mais de 40% dos entrevistados afirmam ter aberto a primeira conta bancária através de uma fintech, não de um banco tradicional. Esse movimento indica que as plataformas digitais estão cumprindo papel social importante na inclusão financeira e no acesso a serviços básicos, algo que, por décadas, foi limitado nas regiões periféricas e de menor renda.


Serviços mais utilizados e impacto na economia local

Os serviços mais populares nas favelas são pagamentos por QR Code, Pix, recargas de celular e transferências instantâneas, atividades que antes exigiam deslocamento até agências ou correspondentes bancários. Cerca de 64% dos entrevistados afirmam que as fintechs facilitaram a gestão financeira doméstica e o controle de gastos, enquanto 51% dizem ter conseguido organizar melhor o orçamento familiar com o uso dos aplicativos.

O impacto econômico é direto: segundo o Data Favela, o consumo anual das favelas brasileiras movimenta mais de R$ 200 bilhões, e o aumento da digitalização está permitindo que parte desse capital circule dentro do sistema financeiro formal. Isso abre espaço para linhas de crédito personalizadas, microinvestimentos e contas empresariais voltadas a pequenos empreendedores locais.


Por que as fintechs ganharam confiança

Historicamente, bancos tradicionais eram vistos com desconfiança em áreas periféricas, seja pela burocracia, pelas tarifas altas ou pela dificuldade de acesso físico. As fintechs inverteram essa lógica com modelos de atendimento mais simples e acessíveis, somados à linguagem próxima e à presença digital em redes sociais.

A pesquisa mostra que 74% dos moradores de favelas afirmam confiar mais em bancos digitais do que em bancos tradicionais, principalmente por perceberem maior transparência nas tarifas e melhor suporte via aplicativo. O estudo também destaca que 52% dos entrevistados consideram o atendimento digital mais rápido e eficiente.


Desafios e próximos passos

Mesmo com os avanços, há obstáculos. Cerca de 13% da população das favelas ainda permanece fora do sistema financeiro formal, seja por falta de acesso à internet, aparelhos celulares ou documentos. Além disso, a ausência de agências físicas ainda representa um desafio em situações de saque em espécie e atendimento presencial.

As fintechs, por outro lado, enxergam oportunidade de expansão por meio de educação financeira digital, microcrédito e cartões pré-pagos, com foco em pequenos negócios e autônomos. O setor financeiro digital vê nas favelas um público crescente, com forte capacidade de consumo e fidelização, e que ainda tem grande margem de crescimento.


Visão do Bolso do Investidor

O avanço das fintechs nas favelas brasileiras é um sinal claro de transformação estrutural no sistema financeiro nacional. Ao conquistar consumidores historicamente desbancarizados, essas plataformas não apenas expandem sua base de clientes, mas também reduzem custos de captação e ampliam oportunidades de monetização por meio de crédito, seguros e investimentos.

Para o investidor, esse movimento representa um mercado de crescimento orgânico e sustentável, com potencial de longo prazo. Empresas que combinam tecnologia, empatia social e eficiência operacional tendem a capturar valor, especialmente em regiões com alto volume de transações e baixa penetração bancária.

Contudo, há riscos regulatórios e de inadimplência a monitorar, principalmente à medida que fintechs ampliam a oferta de crédito. A sustentabilidade da expansão dependerá da capacidade de equilibrar crescimento acelerado com controle de risco e educação financeira.


Conclusão

A popularização das fintechs nas favelas brasileiras simboliza uma revolução silenciosa na inclusão financeira. O que antes era um território negligenciado pelo sistema bancário tradicional, hoje se tornou um mercado dinâmico, digital e conectado. Para investidores, o recado é claro: a democratização do crédito e da tecnologia financeira não é apenas um movimento social, mas também uma fronteira de oportunidade econômica.



Fontes: