Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 19 de fevereiro de 2026

A agência de classificação de risco Fitch Ratings afirmou que uma eventual melhora na nota de crédito do Brasil dependerá da apresentação de um plano fiscal crível no médio prazo. Atualmente, o país possui rating “BB”, com perspectiva estável, permanecendo dois níveis abaixo do grau de investimento.
Segundo relatório em formato de perguntas e respostas distribuído a clientes, uma elevação para “BB+” exigiria um programa de consolidação fiscal substancial e confiável, capaz de reforçar a confiança na estabilização da dívida pública ao longo do tempo. A classificadora destacou que a principal vulnerabilidade brasileira continua sendo a fragilidade fiscal.
Progresso inicial é essencial
A agência explicou que não é necessário apresentar imediatamente um ajuste fiscal completo para que a classificação melhore. O ponto central seria demonstrar progresso inicial relevante e gerar confiança de que as contas públicas caminham para melhora contínua.
Para a Fitch, um processo de consolidação mais rápido e abrangente deve exigir esforços adicionais após as eleições de 2026. A expectativa é de que qualquer governo eleito busque medidas de ajuste, embora o ritmo e a estratégia dependam do vencedor.
A classificadora observou que um governo de esquerda provavelmente enfrentaria maior resistência política para elevar tributos, enquanto uma gestão de direita poderia ter dificuldades para implementar cortes profundos de gastos. A agência também ressaltou que mesmo o atual Congresso, considerado conservador, apoiou iniciativas de aumento de despesas e suavizou mecanismos de controle de gastos.
Juros e atividade econômica
A Fitch avalia que a manutenção de juros elevados por período prolongado continuará pressionando a demanda interna, ainda que exista expectativa de início de cortes nas taxas a partir de março.
Por outro lado, a melhora do déficit primário ao longo do ano e operações de crédito podem reduzir parte dessa desaceleração econômica. A agência também considera que o mercado de trabalho aquecido segue sustentando o consumo no país.
América Latina
No cenário regional, a Fitch indicou que a maioria dos países da América Latina apresenta perspectiva estável de classificação de risco. Apenas cinco economias possuem grau de investimento, sendo o México a mais baixa entre elas.
A agência não espera novos rebaixamentos relevantes em 2026. A perspectiva positiva do Paraguai reflete a possibilidade de alcançar grau de investimento caso determinadas condições sejam cumpridas.
Ainda assim, a classificadora alerta que a consolidação fiscal na região permanece desigual, com países maiores enfrentando déficits elevados e crescimento do endividamento.
Visão Bolso do Investidor
A avaliação das agências de risco influencia diretamente o custo de financiamento do país, as taxas de juros de longo prazo e o fluxo de capital estrangeiro. Uma melhora de rating tende a reduzir o prêmio de risco exigido pelos investidores, enquanto incertezas fiscais pressionam juros e câmbio. Por isso, a trajetória das contas públicas e da dívida é acompanhada de perto pelo mercado, pois afeta desde títulos públicos até ações e investimentos produtivos na economia.
Fontes:
- InfoMoney
- Estadão Conteúdo
