Fome cai 23,5% no Brasil, mas São Paulo ainda enfrenta quase 1 milhão em insegurança alimentar

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 17/10/2025


Introdução

Dados recentes do IBGE apontam uma queda significativa na fome no Brasil — mas revelam que o problema persiste de forma alarmante em estados ricos, como São Paulo. Enquanto milhões deixaram a situação extrema, cerca de 970 mil pessoas no Estado mais populoso ainda vivem com fome diária. Para o investidor, esses contrastes revelam que as melhorias sociais continuam desiguais e podem influenciar debates sobre políticas públicas, prioridades orçamentárias e programas de transferência de renda.


Panorama nacional: redução expressiva da fome

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), o número de brasileiros em situação de insegurança alimentar grave caiu de 8,47 milhões para 6,48 milhões entre 2023 e 2024 — o que representa uma retração de 23,5%. Esse é o menor nível já observado desde 2004.

Apesar desse recuo, 18,9 milhões de famílias ainda enfrentam algum grau de insegurança alimentar (moderada ou grave). Isso mostra que a diminuição da fome extrema não elimina o desafio de garantir alimentação digna para tantos.


Contraste em São Paulo: vulnerabilidade persistente

O estado de São Paulo continua concentrando um número alto de pessoas em situação crítica: estima-se que 970 mil paulistas estão em condição de fome diária. Isso corresponde a 409 mil domicílios, ou cerca de 2,4% da população estadual. Comparativamente, em 2023 esse valor era de 508 mil domicílios (3% da população), representando 1,3 milhão de pessoas.

Ou seja: embora o país como um todo tenha avançado, as melhorias são desiguais. Grandes centros urbanos ainda abrigam concentrações expressivas de privação alimentar.


Perfil social da insegurança alimentar

As desigualdades se refletem nos grupos sociais mais vulneráveis. Nos domicílios em insegurança alimentar grave:

  • 59,9% são chefiados por mulheres.
  • Pretos e pardos correspondem a 70% dos responsáveis por esses lares.
  • As zonas rurais têm maior incidência (31,3%), frente às áreas urbanas (23,2%).

Regiões Norte e Nordeste lideram as proporções de domicílios com algum grau de insegurança: 37,7% e 34,8%, respectivamente. No Sudeste, essa taxa é de cerca de 19,6%.


Análise do Bolso do Investidor

O recuo de 23,5% na fome extrema é relevante e positivo, mas o fato de São Paulo ainda reunir quase um milhão de pessoas em situação crítica revela que o combate à fome exige mais que políticas nacionais — requer foco local e regional. Para investidores e formuladores, isso indica que projetos de impacto social, agronegócio sustentável e logística alimentar podem ter espaço de crescimento. Além disso, o debate público tende a pressionar a alocação de recursos para segurança alimentar em áreas urbanas de alta densidade de populações vulneráveis.


Fechamento e o que observar

O cenário revela avanço, mas também fragilidade: enquanto o Brasil sai de níveis extremos de fome, desigualdades internas continuam latentes. Nos próximos meses será fundamental acompanhar:

  • os repasses e execução dos programas sociais e de alimentação escolar;
  • medidas estaduais em regiões mais afetadas;
  • evolução dos indicadores de insegurança alimentar em cidades grandes;
  • influência dessas estatísticas no discurso político e nos orçamentos públicos.

Esse acompanhamento será essencial para entender se os progressos recentes são sustentáveis e capazes de alcançar toda a população.

Fontes: InfoMoney