Fundos de ações têm altas de até 80% em 2025 e podem seguir favorecidos em 2026

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 30 de dezembro de 2025

Os fundos de ações encerram 2025 com desempenho expressivo, impulsionados pela forte valorização da Bolsa brasileira nas últimas semanas do ano. Com recordes consecutivos do Ibovespa, diversas carteiras superaram tanto o índice quanto os juros, em um cenário que surpreendeu investidores mais conservadores.

Até o dia 10 de dezembro, levantamento do InfoMoney com dados da Economatica mostra que, entre os fundos com patrimônio superior a R$ 500 milhões, os retornos chegaram a ultrapassar 80% no ano. Ao todo, 19 fundos apresentaram ganhos acima de 40% em 2025, enquanto o Ibovespa acumulava valorização próxima de 30%.

O destaque ficou concentrado, principalmente, nos fundos classificados como “Ações Livre”, que oferecem maior autonomia aos gestores, permitindo estratégias mais concentradas em setores específicos ou empresas com maior potencial de valorização. É o caso do Infrad Master, da Radar Gestora, voltado ao setor de infraestrutura, que liderou o ranking com retorno de 81,36%.

Além dos fundos livres, também figuram entre os melhores desempenhos um fundo de dividendos da Bradesco Asset e um fundo de Ibovespa ativo da Itaú Asset, que busca superar o índice por meio de gestão ativa.

Fundos de ações com maiores retornos em 2025

Entre os principais destaques do ano estão:

  • Infrad Master (Radar Gestora): 81,36%
  • Alaska Black Fundo de Investimento: 77,14%
  • Radar Master: 67,04%
  • Absoluto Partners Master: 61,39%
  • SPX Patriot Master: 60,62%
  • XP Investor 30 Master: 58,69%
  • SPX Falcon Master: 58,52%
  • Sharp Equity Value: 52,06%
  • Constellation Qualificado: 48,33%
  • Absolute Pace Long Biased Master: 45,14%

Os dados consideram apenas fundos com patrimônio superior a R$ 500 milhões e rendimentos acumulados até 10 de dezembro.

Recorde de resgates contrasta com forte desempenho

Apesar dos ganhos expressivos, o ano de 2025 também foi marcado por uma forte saída de recursos dos fundos de ações. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), houve resgate líquido de R$ 52,8 bilhões na categoria, o maior volume desde o início da série histórica, em 2006.

Para Rachel de Sá, estrategista de investimentos da XP Investimentos, esse movimento mostra a importância da diversificação. Durante o evento Onde Investir 2026, ela destacou que poucos investidores apostavam, no início do ano, que a renda variável seria o destaque de rentabilidade em 2025.

Segundo a estrategista, uma carteira equilibrada, mesmo em ambientes de incerteza e instabilidade, consegue atravessar períodos desafiadores com bons resultados.

Desempenho entre os maiores fundos do mercado

Quando se observa apenas os fundos de ações com maior patrimônio, os retornos são mais moderados, mas ainda relevantes. Entre os dez maiores fundos do mercado, aparecem carteiras como SPX Falcon Master e Absoluto Partners Master, com ganhos de 58,52% e 61,39%, respectivamente.

Outros fundos de grande porte, como Opportunity Ações, Atmos Master e Dynamo Cougar Master, também registraram desempenho positivo ao longo do ano, reforçando que o bom resultado não ficou restrito apenas a casas menores ou estratégias mais agressivas.

Expectativas para 2026: juros menores e mais volatilidade

A grande questão agora é se esse bom momento pode continuar em 2026. A expectativa do mercado é positiva, principalmente no início do ano, com a possibilidade de início do ciclo de cortes da taxa Selic pelo Banco Central.

Segundo Antonio Sanches, analista da Rico Investimentos, os juros têm impacto direto sobre o mercado de ações, tanto pelo efeito na atividade econômica quanto pelo impacto no resultado das empresas, especialmente as mais endividadas. Além disso, juros menores elevam o valor justo das companhias, favorecendo a precificação das ações.

Para ele, a redução da Selic e dos juros reais tende a estimular não apenas a valorização das ações, mas também a captação dos fundos de renda variável, à medida que investidores percebem rendimentos menores na renda fixa.

Volatilidade deve marcar o próximo ano

Apesar do cenário construtivo para o início de 2026, a volatilidade deve permanecer elevada. Raphael “Rafi” Figueiredo, estrategista da XP Investimentos, ressalta que o ano será marcado por fatores relevantes, como eleições no Brasil, cortes de juros no Brasil e nos Estados Unidos e a troca do presidente do Federal Reserve.

Segundo ele, períodos pré-eleitorais costumam intensificar as oscilações do mercado, o que exige atenção e estratégias de proteção por parte dos investidores.

Projeções para o Ibovespa em 2026

Com base em diferentes cenários fiscais e níveis de juros reais, a XP traçou três projeções para o Ibovespa em 2026:

  • Cenário base: 185.453 pontos, com juro real em torno de 7,1% e ajuste fiscal moderado
  • Cenário pessimista: 144.499 pontos, com deterioração fiscal e juro real de 8,5%
  • Cenário otimista: 223.908 pontos, com ajuste fiscal mais rigoroso e juro real de 5,5%

Diante desse ambiente, a recomendação é manter a diversificação, combinando fundos de ações, multimercados e outros ativos, de acordo com o perfil do investidor.

Espaço para valorização, mas com cautela

Rodrigo Santoro, head de ações da Bradesco Asset, avalia que ainda há espaço para a Bolsa avançar, especialmente no primeiro trimestre de 2026, com influência positiva do cenário externo e maior clareza política inicial.

No entanto, ele alerta que, a partir do segundo semestre, a corrida eleitoral tende a gerar maior incerteza, o que pode levar investidores locais a adotar postura mais cautelosa.

Santoro destaca preferência por estratégias de gestão ativa e fundos focados em valor, além de manter visão positiva sobre fundos de dividendos, especialmente em setores como utilities, concessões rodoviárias, imobiliário de baixa renda e setor financeiro.

Visão de longo prazo continua essencial

Para Matheus Tarzia, gestor da Neo Investimentos, o mercado brasileiro segue com múltiplos atrativos, mas o investidor não deve se prender a prazos curtos. Segundo ele, movimentos como recompras de ações e fechamentos de capital indicam que muitas empresas seguem negociadas a preços descontados.

Tarzia acredita que 2026 será um ano dinâmico e desafiador, marcado pelas eleições, mas reforça que uma visão de longo prazo permite atravessar períodos de volatilidade e capturar oportunidades quando o cenário se ajusta.


Fontes:

  • Infomoney