Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 11 de fevereiro de 2026

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o Brasil precisa discutir de forma mais ampla por que necessita manter taxas de juros mais elevadas do que outros países para conseguir cumprir a meta de inflação. Segundo ele, embora o objetivo de inflação de 3% esteja alinhado ao padrão internacional, o custo para alcançá-lo no País ainda é significativamente maior.
Durante participação na CEO Conference Brasil 2026, organizada pelo BTG Pactual em São Paulo, Galípolo declarou que o principal ponto de reflexão não é a meta em si, mas a estrutura econômica que exige juros elevados para promover a convergência dos preços.
“O que eu acho que realmente precisa ser melhor debatido com a sociedade é por que o Brasil precisa sustentar taxas de juros, comparativamente aos seus pares, mais elevadas, para, com muito esforço, conseguir fazer uma convergência maior para a meta. Eu acho que esse é o tema”, afirmou.
Meta de inflação está em linha com padrões internacionais
Galípolo reforçou que a meta de 3% adotada pelo Brasil não foge do padrão observado em outras economias. Para ele, o problema central não está no objetivo definido pelo Banco Central, mas nas condições estruturais que tornam o processo de controle inflacionário mais custoso.
A declaração indica que o debate pode envolver fatores como risco fiscal, expectativas de inflação, produtividade e eficiência da economia, que influenciam diretamente o nível necessário de juros para conter pressões sobre os preços.
Mercado de trabalho segue apertado e produtividade preocupa
O presidente do BC também avaliou que o mercado de trabalho brasileiro permanece aquecido, mesmo com sinais recentes considerados divergentes. Ele destacou que o desemprego está em níveis historicamente baixos.
Ao mesmo tempo, apontou a baixa produtividade da economia como um desafio estrutural. Segundo Galípolo, os reajustes salariais continuam superando a inflação e os ganhos de eficiência, o que pode gerar pressões adicionais sobre os custos. Para ele, é fundamental criar um ambiente mais favorável ao investimento privado, capaz de gerar crescimento sustentável e aumento da produtividade ao longo do tempo.
“Como é que conseguimos colaborar para um ambiente mais amigável, mais convidativo, para que o investimento privado possa ocorrer e para que esse investimento privado consiga produzir de maneira mais sustentável ganhos de produtividade? É algo que não vai acontecer do dia para a noite”, disse.
Estabilidade será prioridade da gestão
Galípolo afirmou ainda que a palavra-chave da sua gestão à frente do Banco Central será “estabilidade”. Segundo ele, após avanços recentes em temas como competição bancária, inclusão financeira e inovação tecnológica, a instituição deve concentrar esforços no cumprimento do seu mandato principal.
“Agora é um momento que o Banco Central entende que ele precisa calcar e centrar na estabilidade, que é o seu mandato central”, declarou.
Indicações para diretoria do BC ficam a cargo do Planalto
Questionado sobre as indicações de novos diretores para o Banco Central, Galípolo evitou comentar nomes sugeridos pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ele afirmou que a escolha é uma prerrogativa exclusiva do presidente da República.
Na semana anterior, Haddad confirmou ter sugerido os nomes de Guilherme Mello, atual secretário de Política Econômica, e Tiago Cavalcanti, professor da Universidade de Cambridge, para ocupar duas vagas abertas na autarquia. Parte do mercado manifestou preocupação com o perfil de Mello, considerado heterodoxo por alguns analistas.
Galípolo ressaltou ter uma relação próxima com Mello e classificou Cavalcanti como um profissional de excelência.
Visão Bolso do Investidor
As declarações do presidente do Banco Central indicam que o debate sobre juros estruturais elevados deve continuar no centro das discussões econômicas do País. Taxas mais altas impactam diretamente crédito, consumo, investimento produtivo e o desempenho de ativos financeiros.
Para investidores, acompanhar a condução da política monetária, a evolução da inflação, do mercado de trabalho e das reformas voltadas à produtividade tende a ser essencial. Mudanças nessas variáveis podem influenciar o custo do capital, a rentabilidade das empresas e o comportamento dos mercados nos próximos anos.
Fontes: Estadão Conteúdo; InfoMoney
