Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 28 de outubro de 2025

A Geração Z está transformando silenciosamente o ambiente corporativo — e, ao que tudo indica, com a ajuda da inteligência artificial.
Um estudo da plataforma Software Finder, divulgado neste mês, revelou que três em cada dez jovens profissionais admitiram ter faltado a pelo menos uma reunião de trabalho confiando na IA para gerar automaticamente as anotações e relatórios.
A pesquisa também identificou que 19% dos trabalhadores em tempo integral já utilizam ferramentas de IA para registrar o conteúdo das reuniões de forma automatizada. E a prática, segundo os dados, parece estar rendendo frutos: os funcionários que usam IA regularmente para esse fim têm 28% mais chances de serem promovidos, em comparação com 15% entre os demais — além de receberem salários cerca de US$ 20 mil maiores por ano.
IA aumenta produtividade, mas falha no contexto
Nem tudo, porém, são vantagens. Entre os entrevistados que admitiram faltar a reuniões e depender das anotações da IA, 41% afirmaram ter perdido informações relevantes, que o software não conseguiu captar.
O levantamento mostrou ainda que o uso das ferramentas é mais comum entre trabalhadores híbridos (26%), seguido por remotos (21%) e presenciais (13%).
O setor de tecnologia e software lidera o uso com 32% dos profissionais utilizando IA com frequência, enquanto apenas 12% dos funcionários do setor público relataram o mesmo.
Segundo dados complementares da TechBullion, empresas que adotam soluções de anotações automáticas observam ganhos expressivos de produtividade: cada colaborador economiza, em média, cinco horas por semana, o equivalente a 250 horas anuais.
A pesquisa também mostra que, quando a IA é responsável por registrar as reuniões, a participação ativa dos presentes aumenta em 40%, com decisões tomadas mais rapidamente.
Jovens lideram o uso, mas também o medo
O uso intensivo da IA por jovens trabalhadores reflete uma tendência de adaptação tecnológica acelerada.
Uma pesquisa do Google Workspace, realizada em 2024, apontou que 93% dos profissionais da Geração Z utilizam duas ou mais ferramentas de IA por semana, um número sem precedentes em comparação às gerações anteriores.
Entretanto, os ganhos vêm acompanhados de preocupações crescentes com o futuro do emprego.
Segundo um estudo da D2L, 52% dos entrevistados da Geração Z afirmaram temer ser substituídos por colegas com habilidades mais avançadas em IA, ante 33% entre a Geração X.
Já uma pesquisa do Deutsche Bank (2024) mostrou que 24% dos jovens entre 18 e 34 anos classificam sua preocupação com a perda de emprego em 8 ou mais, numa escala de 10. Entre os profissionais com mais de 55 anos, esse índice cai para 10%.
Líderes empresariais, por sua vez, veem a Geração Z como a segunda mais vulnerável à substituição por automação, atrás apenas dos millennials.
Visão do Bolso do Investidor
A crescente integração da inteligência artificial ao ambiente corporativo revela uma mudança estrutural no mercado de trabalho. A Geração Z, mais adaptável e conectada, colhe ganhos imediatos em produtividade e reconhecimento, mas enfrenta um paradoxo: quanto mais domina a tecnologia, maior é a pressão por se manter relevante diante da automação crescente.
Para o investidor, esse movimento aponta para novas oportunidades em empresas de tecnologia e gestão de produtividade, mas também para a necessidade de avaliar os impactos sociais e trabalhistas da IA no longo prazo.
Conclusão
A revolução digital liderada pela Geração Z redefine o equilíbrio entre eficiência e segurança no emprego. À medida que a IA avança sobre as tarefas cognitivas, o mercado deve se ajustar não apenas para aproveitar seus benefícios, mas também para requalificar profissionais e preservar a competitividade humana em um cenário cada vez mais automatizado.
Fontes:
- InfoMoney
