Glauber Braga ocupa cadeira da Presidência da Câmara em protesto e é retirado à força

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 10 de dezembro de 2025

O deputado Glauber Braga protagonizou um episódio de forte tensão na Câmara dos Deputados nesta terça-feira ao ocupar a cadeira da Presidência da Casa em protesto contra a decisão do presidente Hugo Motta, do Republicanos da Paraíba, de pautar para o mesmo dia a análise de seu processo de cassação. O gesto ocorreu logo após Motta confirmar que o tema seria levado a plenário, contrariando expectativas de aliados do parlamentar.

Assim que Braga assumiu a cadeira, a transmissão institucional da Câmara foi interrompida. Jornalistas que acompanhavam a sessão foram instruídos a deixar o plenário e, poucos minutos depois, agentes da polícia legislativa retiraram o deputado da mesa de forma forçada. O ato ganhou repercussão imediata nas redes sociais e ampliou o clima de tensão que já marcava a semana no Congresso.

O contexto da cassação e tensões no Congresso

A manifestação de Glauber ocorre em meio ao avanço de processos de cassação de outros parlamentares condenados pelo Supremo Tribunal Federal, entre eles Alexandre Ramagem, do PL do Rio de Janeiro, e Carla Zambelli, também do PL de São Paulo. A decisão de Hugo Motta de submeter o processo diretamente ao plenário, e não por via estritamente administrativa, como determinado pelo STF em outro caso, gerou controvérsia entre deputados.

A Mesa Diretora ainda não se pronunciou sobre possíveis medidas disciplinares contra Braga. O episódio adiciona pressão a uma semana já marcada por debates sobre punições, pedidos de anistia e disputas regimentais.

Histórico de atos de pressão

Esta não é a primeira vez que Glauber adota uma postura de confronto para tentar barrar a tramitação de seu processo. Mais cedo neste ano, o deputado iniciou uma greve de fome e passou a dormir no plenário após o Conselho de Ética aprovar parecer recomendando a perda de seu mandato por agressão a um militante do MBL. Na ocasião, Braga argumentou que a punição era desproporcional e defendeu a anulação do processo. Depois de mais de uma semana de impasse, a mobilização foi encerrada após negociação com Hugo Motta, que garantiu um intervalo de sessenta dias entre a decisão da CCJ e a votação em plenário, movimento visto por aliados como uma vitória parcial.

O confronto desta terça-feira, porém, indica o acirramento das disputas internas à medida que o processo de cassação volta à pauta.

Visão Bolso do Investidor

Episódios como o que ocorreu na Câmara ilustram como as tensões políticas podem alterar o ambiente institucional e afetar a percepção de estabilidade do país. Para investidores, compreender esses movimentos é fundamental, especialmente quando envolvem disputas regimentalmente complexas e impacto potencial sobre a agenda legislativa. A volatilidade política tende a influenciar expectativas econômicas, afetar a tramitação de projetos relevantes e aumentar a cautela no curto prazo. Por isso, acompanhar o cenário com atenção e avaliar riscos de forma equilibrada torna-se essencial em períodos de instabilidade parlamentar.

Fontes: InfoMoney