Governo exonera diretor do DNIT investigado por suspeita de propina ligada ao esquema do INSS

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 12 de janeiro de 2026

O governo federal exonerou na noite de sexta-feira (9) o diretor de Administração e Finanças do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Marcos de Brito Campos Júnior, quase um mês após ele ter sido alvo de uma nova fase da operação da Polícia Federal que investiga desvios e corrupção no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A exoneração foi oficializada em edição extra do Diário Oficial da União, publicada às 21h15 do mesmo dia em que o Estadão encaminhou questionamentos ao então diretor e ao DNIT sobre diálogos obtidos pela Polícia Federal que indicariam o recebimento de propina em dinheiro vivo. O decreto foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro dos Transportes Renan Filho.

Segundo a apuração, os diálogos indicam pagamentos realizados no período em que Marcos de Brito atuava como superintendente do INSS na Região Nordeste.

Diálogos e investigação da Polícia Federal

A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal que localizou mensagens que tratariam de entregas de propina em dinheiro vivo a Marcos de Brito. Com base nesses indícios, ele foi alvo de busca e apreensão em 18 de dezembro, além de ter sido submetido ao uso de tornozeleira eletrônica.

De acordo com os investigadores, em 10 de agosto de 2023, o empresário conhecido como “Careca do INSS” teria solicitado a um funcionário, Rubens Costa, a organização de uma entrega de R$ 20 mil em espécie ao então superintendente. As mensagens orientavam que o valor fosse retirado de um cofre e entregue de forma discreta, em envelope ou recipiente que não chamasse atenção.

A PF também identificou diálogos envolvendo a entrega de dinheiro vivo a um ex-assessor parlamentar do senador Weverton Rocha (PDT-MA). Todo o material foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF.

O empresário conhecido como “Careca do INSS” está preso desde setembro, sob suspeita de comandar um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões, com pagamento de propina a servidores públicos.

Exoneração e posição da defesa

Ao responder aos questionamentos da imprensa ainda na sexta-feira, a defesa de Marcos de Brito afirmou que ele havia colocado o cargo à disposição do DNIT, mas que a exoneração ainda não havia sido formalizada naquele momento. Horas depois, o governo confirmou a demissão por meio do Diário Oficial.

Na nota enviada, a defesa sustenta que Marcos de Brito não participou de qualquer atividade ilícita ao longo de sua trajetória profissional, especialmente no período em que atuou no INSS. O advogado afirma ainda que o ex-diretor não recebeu valores do empresário investigado nem integrou esquemas voltados a lesar beneficiários do INSS.

Segundo a defesa, o patrimônio de Marcos de Brito seria compatível com sua renda, e a decisão de deixar o cargo teve como objetivo preservar a instituição e permitir o pleno exercício do direito de defesa nos autos, que correm sob sigilo no STF.

Visão Bolso do Investidor

Casos como este reforçam o impacto que investigações de corrupção têm sobre a governança e a credibilidade das instituições públicas. Para o investidor, especialmente aquele exposto a setores regulados ou dependentes de políticas públicas, episódios envolvendo o INSS, o DNIT e outros órgãos federais aumentam a percepção de risco institucional e político. Transparência, previsibilidade e resposta rápida do governo são fatores-chave para reduzir ruídos no mercado e preservar a confiança em decisões de longo prazo.


Fontes:

  • InfoMoney
  • Estadão Conteúdo