Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 31 de dezembro de 2025

A adoção acelerada de ferramentas de inteligência artificial está transformando o papel dos gestores nas empresas, deslocando o foco da supervisão de tarefas operacionais para funções mais ligadas a relacionamento, mentoria e tomada de decisão. A avaliação foi compartilhada por executivos durante a conferência Fortune Brainstorm AI, realizada neste mês em San Francisco.
Segundo os participantes, o avanço dos agentes de IA tem reduzido significativamente o tempo gasto com atividades repetitivas, burocráticas e administrativas, abrindo espaço para que líderes humanos concentrem esforços em julgamento estratégico, desenvolvimento de pessoas e liderança emocional.
Stefano Corazza, chefe de pesquisa em IA da Canva, afirmou que a tecnologia deve ser construída para ampliar as capacidades humanas, e não para substituir habilidades interpessoais ou decisões estratégicas. Para ele, a proposta é dar “superpoderes” aos gestores, permitindo que atuem com mais impacto.
Aashna Kircher, executiva da área de recursos humanos da Workday, destacou que muitos gestores ainda dedicam tempo excessivo a tarefas pouco estratégicas. Segundo ela, os agentes de IA podem aliviar esse peso, mas as empresas precisam redefinir expectativas e treinar líderes para assumir responsabilidades mais analíticas e humanas.
Onde a liderança humana continua essencial
Especialistas apontam que empatia, confiança e alinhamento entre equipes seguem sendo atributos exclusivamente humanos. Kate Niederhoffer, cientista-chefe da BetterUp, alertou que a dependência excessiva de IA em atividades relacionais pode comprometer a colaboração e a percepção de liderança dentro das equipes.
Na mesma linha, Danielle Perszyk, cientista cognitiva do laboratório de AGI da Amazon, afirmou que gestores estão cada vez mais “presos a telas” e que a IA pode atuar como uma camada de apoio para lidar com a burocracia digital. O objetivo seria liberar tempo para pensamento estratégico, criatividade e decisões de maior impacto.
Toby Roberts, executivo da Zillow, reforçou que, ao absorver tarefas do dia a dia, a IA tende a redesenhar estruturas de equipes e ampliar o espaço para que gestores atuem onde o julgamento humano é indispensável.
Visão Bolso do Investidor
A evolução da inteligência artificial no ambiente corporativo não elimina a importância da liderança humana, mas redefine seu papel. Em um cenário de automação crescente, empresas e profissionais que investirem em habilidades relacionais, tomada de decisão e desenvolvimento de pessoas tendem a ganhar vantagem competitiva. Para investidores, o movimento reforça a relevância de modelos de negócios que combinem tecnologia com capital humano qualificado.
Fontes: InfoMoney
